…Entre as minhas mãos…

Estendo as minhas mãos

Pudesse eu desfolhar o mundo

Cruzar o tempo neste caminho profundo

Olhar o mar no horizonte sem fundo.


Embalo os meus sonhos

Sem me deixar cair no adormecer

A vida ensina-me a ganhar e a perder

Soubesse eu sempre acatar este entender.


Entrego palavras à poesia

Como se fossem flores a brotar num jardim

O encanto pelos poetas é terra que não tem fim

Soubesse eu colher o poema certo para mim.

… Aroma do dia …

Suave o olhar que penetra na manhã

E sente a luz do sol a acordar o pensamento

Caem as últimas gotas de orvalho

Sob o ainda adormecido aroma das flores

E assim começa a frescura

Que se espalha com o vento

Pousando no amanhecer

E perfumando a rotina do dia

Dando rasgo à emoção

Deste meu viver!

Sentir Janeiro

Embebida na luz que me rodeia

Aconchego-me no amor

No presente com que a vida me presenteia

Na imensidão de emoções que põe ao meu dispor.


Pousa no meu colo um novo ano

Deixo algumas memórias para trás

Traço novas marés no oceano

Comigo segue a melodia do mar e da paz.


Abro o coração e deixo as palavras entrar

Abrigo-me no silêncio saboreando poesia

Dou ao olhar liberdade para voar

Recebo Janeiro semeando um sorriso em cada dia.

Feliz Natal

E assim desfilaram os meses

Neste ano a terminar

Abraçamos o Natal

E damos ao coração motivos para festejar



Tocam os sinos

Erguem-se as palavras

Une-se o tempo

A poesia acontece

Entre gestos e reflexão

No presente dos presentes

Na saudade pelos ausentes,

Vivemos o amor

Na união pela união

Desembrulhamos o que há de melhor

Saboreamos o ser de cada ser

Nesta época especial

Celebramos o Natal.

… Tempo …

Quando as palavras não saem

São as lágrimas que caem

Só o silencio me consegue ouvir

E só o coração me pede para não desistir.

Há dias em que o tempo não está para sorrir

Perco o alcance do que tinha alcançado

Procuro-me para me voltar a encontrar

E nesta viagem,

Poemas melhores hão de vir

Acredito que as palavras nem sempre me traem

E o tempo é uma constante

Liberto-me de lugar em lugar.

Dezembro

Chegou dezembro

Coberto de frio

Adivinhando o inverno

No alto do seu ar pomposo

Não se sentindo menos majestoso

Por ser o último a chegar.


Traz o aconchego do lar

Abraça histórias do ano prestes a findar

Sem tristeza de ver as folhas caindo

Abre espaço para ver a família reunindo

São dias vestidos de luz e união

Dezembro completa-se com muito amor no coração.

…Rodopiando…

Saboreio o brilho do teu olhar
A rodopiar no meu sorriso
A magia que se estende no meu rosto
Coberto de ingenuidade
Ao entregar-se de improviso
Enquanto o meu corpo vagueia
Entre o retrato de menina a mulher
E tropeça na suavidade das palavras
Ditas pelo cruzar do nosso andar.

Gosto de te ver quando me vês
E de sentir a nudez do teu olhar
A penetrar na minha timidez…

…Era uma Vez…

A vida veste-se de palavras

Doces ou por vezes amargas

Frases feitas

Que nos vendem por estar certas

E o corpo absorve letra a letra

Este livro aberto

Que ao cair na pele

Se vai despindo,

E as silabas são desfeitas

Em capítulos que guardamos no coração

Levados pela razão ou emoção

Avançamos página a página

Com o prazer de viver

As palavras que se despem

E se entregam à vida…

Sempre guardado em mim

Porque a morte abre uma ausência

Um vazio difícil de sustentar

Cicatrizes que ficam

Amarradas ao corpo

Sem remédio para curar

Só o tempo para remediar

A ferida que parece nunca mais sarar.

O teu espaço será sempre guardado em mim

Ficarei com o teu sorriso ancorado no meu coração

E tu seguirás no meu caminho até ao meu fim.



Para ti

Querido irmão