Carta à Primavera

Querida Primavera,

Queria que soubesses

Que o inverno já se recolheu

E os dias trocaram de cor

Até as horas se despiram do frio

E o ar emana uma nova fragrância

Sentimos a beleza da tua elegância

E neste despertar de sentidos

Rendidos estamos à tua espera

Minha doce e alegre Primavera.

Sente-te abraçada

Nesta tua chegada

Viagem do tempo

Nesta viagem do tempo

Fugaz e a alta velocidade

O corpo embarca a todo o vapor

Sem colher dos dias o sabor

De paragem em paragem

Sem deixar a pele respirar

Tamanho é o ritmo do caminho

Que cada olhar segue mudo e sozinho

Levando na bagagem

A saudade de encurtar a distância

E deixar para trás os passos apressados

Os sorrisos fechados,

E de devolver aos dias a importância

De viver estação a estação

Com um bilhete de felicidade…

…E o mundo escurece…

E o mundo escurece

Quando o dia não amanhece

O tempo adoece

Quando a liberdade decresce

O amor esmorece

Quando o egoísmo prevalece

A palavra empobrece

Quando o ódio aparece

E a vida falece

Quando a paz desaparece

E o mundo escurece…

Assim chega março…

E com o ar leve e perfumado

Assim chega março

Confiante e despreocupado.

Traz o aroma da primavera

O cheiro a terra lavrada

Rebento de vida que irá ser plantado

Amor que brota no pousar dos dias

Março soma afetos e alegrias,

Soa a poemas, poetas e poesias

Manhãs despertas e tardes vadias

Olhar que se estende iluminado

Em cada rosto de mulher, ser amado

Assim se abrem as portas para a tua chegada

Que o vento suavize a tua caminhada…

…Sem Palavras…

Hoje vou deixar as palavras sossegar

O que tenho para te dizer

Está simplesmente a acontecer…


No dia que anoitece

No céu estrelado que brilha sossegado

Na manhã que amanhece

Na flor que floresce

No sorriso que simplesmente aparece

Ou no olhar acordado

Que por ti estremece

E deixa no corpo calado

O desejo de ser amado

Sem palavras…

Serei eu?

Confesso

Que hoje perdi

O olhar em algum lugar

Fechei o coração à emoção

Deixei o medo tomar conta de mim.

Confesso

Hoje o meu corpo estremece

O dia para mim não tem cor

Nem os beijos sabor.

Confesso

Hoje as minhas palavras não voam

Nem as ondas do mar ecoam

Confesso

Serei eu, assim?

…Entre fases…

Com os pés a sentir a terra

Sonhava que conversava com a lua

Entre a distância do meu olhar

Incendiava-se uma claridade nua

Crescente,

Um brilho que não deixava de brilhar

E o meu coração sorria

Com palavras doces se abria

Tantos eram os segredos para lhe contar

Encontrava-me na fase da confidência,


Quando de repente,

Sinto a noite acordar para o dia

E a terra a continuar a sua vivência…

Será fevereiro

E sem mais demoras

Entre os dias e as horas

O coração despede-se de janeiro

E já bate à porta fevereiro

Que ainda traz a luz acesa de inverno

Mas bem mais frágil e terno

Que o seu costume habitar.


Pressinto um fevereiro confidente

Em todas as frestas há sussurros de paixão

As madrugadas serão lentas

E o amor será o fruto do coração.


Será fevereiro…

Eu e Tu

Corri para ouvir a tua voz

Sossegando o coração de tanto palpitar

De braços abertos para te abraçar

Senti-te muito antes de estarmos a sós

Pedindo ao tempo que viesse só para nós

Para esvaziarmos o nosso silencio neste lugar

Onde eu e tu em nós se irá conjugar.