Somos Palavras

Dizem que as palavras não têm tempo

Mas estão em constante movimento

Plenas de intensidade

Encurtam a distância e medem a verdade

Escutam as conversas

Palavras entre palavras,

Traçam um caminho de cumplicidade

Deixando um rasto na memória

Conjugam-se entre o sonho e a realidade

Hoje somos palavras,

Ditas ou escritas

Mais adiante somos

Palavras recordadas ou apagadas …

…Dar tempo ao dia…

O relógio prendeu-me o corpo

Não acordei com a madrugada

As horas fizeram a sua própria caminhada

Não serei eu a entregar-te a manhã

A minha rotina tão desejada.



Amanhã deitarei as horas no meu regaço

Para não sofrer tal embaraço

Quero iluminar o teu amanhecer

Afastar a fadiga das horas

Dar tempo ao dia para o teu viver.

Um mar de Paixão

Ouvi os queixumes do mar

Entristecido,

Já se tinha lamentado à lua

Desabafava sobre a terra

Que por vezes amua

Flutua como as marés

Desorientada

Com o olhar longe,

Desgostoso

O mar encobre-se no nevoeiro

Saudoso de lhe salgar a pele

Navegar no horizonte do seu corpo

Espalhar na brisa o que guarda no coração

Sente pela terra um mar de paixão.

…O que trago em mim…

Se hoje escrevesse um poema

Escolheria palavras leves

Transparentes e coloridas

Como a alma do autor,

Um poeta madrugador

Vestido de vontade

Conjugando o olhar e o sentir

Expondo-se entre rimas e versos

Com o tempo que deixa fluir…

Nem sempre sei o que trago em mim

Se hoje escrevesse um poema

Começaria certamente assim…

Singularidades …

Debruçada na vida

Neste espelho singular

Que me traz memórias vividas

Recordo palavras ditas ao luar

Desarmadas,

Em madrugadas jamais esquecidas.

Neste conjugar de pensamentos

Transporto algumas rugas na idade

Mas não faço do passado saudade

Darei ao tempo o que é do tempo

E aos meus dias contarei histórias

Que fazem a vida sorrir

Esticando o caminho de existir.

Coordenadas

Se quiseres saber de mim

No rosto trago a essência

O corpo veste-se de aparência

Conservo na idade alguma inocência

E dou por mim a viver assim

Na simplicidade de um olhar

Não muito longe,

Num lugar fácil de encontrar

Estarei com o sol ao amanhecer

E irei com ele ver o mar ao entardecer

Se quiseres saber de mim…

Borboletas

Fecho os olhos no teu olhar

Estendo as minhas mãos aos teus gestos

Sinto a luz do dia penetrar

Entre os corpos que se querem juntar

Como se fossem borboletas a bailar.

Neste voo,

Ouve-se um silêncio a sussurrar

O amor que paira no ar

Entre a vontade de pousar

E de asas agasalhar…

…Era um poema…

Chegou como se viesse do Norte

Dentro da minha imaginação

Vinha bem apresentado e de caracter forte,

Nada fazia prever

Que as palavras que o faziam mover

Eram aquelas que eu gostava de ler.

Senti um trago a paixão

Um silêncio que mostrava o bater do coração.

Segui-lhe os passos

Com os meus sentidos um pouco perdidos

Pousados sob as rimas e os versos que entoava,

Vi o amanhecer dar lugar ao entardecer

Era um viajante com tempo no rosto

Sem pressa de recolher

Era um poema

Como eu gostava de ser!

Feliz Ano Novo

Como se fosse o vento

Como se tivesse asas

Fecho os olhos

Corro,

Voo,

Avanço o tempo

Estendo os braços

Agarro este momento

Para te entregar abraços

Que comigo guardei,

Sabendo que hoje era o dia certo

Abri os olhos e te abracei.


Peço ao vento que transporte a mensagem

Que a faça soar na sua viagem

Feliz Ano Novo