…Entre as minhas mãos…

Estendo as minhas mãos

Pudesse eu desfolhar o mundo

Cruzar o tempo neste caminho profundo

Olhar o mar no horizonte sem fundo.


Embalo os meus sonhos

Sem me deixar cair no adormecer

A vida ensina-me a ganhar e a perder

Soubesse eu sempre acatar este entender.


Entrego palavras à poesia

Como se fossem flores a brotar num jardim

O encanto pelos poetas é terra que não tem fim

Soubesse eu colher o poema certo para mim.

Sentir Janeiro

Embebida na luz que me rodeia

Aconchego-me no amor

No presente com que a vida me presenteia

Na imensidão de emoções que põe ao meu dispor.


Pousa no meu colo um novo ano

Deixo algumas memórias para trás

Traço novas marés no oceano

Comigo segue a melodia do mar e da paz.


Abro o coração e deixo as palavras entrar

Abrigo-me no silêncio saboreando poesia

Dou ao olhar liberdade para voar

Recebo Janeiro semeando um sorriso em cada dia.

Dezembro

Chegou dezembro

Coberto de frio

Adivinhando o inverno

No alto do seu ar pomposo

Não se sentindo menos majestoso

Por ser o último a chegar.


Traz o aconchego do lar

Abraça histórias do ano prestes a findar

Sem tristeza de ver as folhas caindo

Abre espaço para ver a família reunindo

São dias vestidos de luz e união

Dezembro completa-se com muito amor no coração.

…Rodopiando…

Saboreio o brilho do teu olhar
A rodopiar no meu sorriso
A magia que se estende no meu rosto
Coberto de ingenuidade
Ao entregar-se de improviso
Enquanto o meu corpo vagueia
Entre o retrato de menina a mulher
E tropeça na suavidade das palavras
Ditas pelo cruzar do nosso andar.

Gosto de te ver quando me vês
E de sentir a nudez do teu olhar
A penetrar na minha timidez…

…Era uma Vez…

A vida veste-se de palavras

Doces ou por vezes amargas

Frases feitas

Que nos vendem por estar certas

E o corpo absorve letra a letra

Este livro aberto

Que ao cair na pele

Se vai despindo,

E as silabas são desfeitas

Em capítulos que guardamos no coração

Levados pela razão ou emoção

Avançamos página a página

Com o prazer de viver

As palavras que se despem

E se entregam à vida…

Esvaziar a saudade

Nestes dias curtos

Que vestem o outono

Todos os espaços parecem vazios

Ausentes

O olhar espelha silêncio

Melancolia,

Eu só quero encontrar um lugar

Quem sabe um rosto

Ou um poema

Onde esvaziar a saudade

E sentir de novo a luz

Das nossas mãos se voltarem a tocar.

Abri a porta…

Ao fechar a porta

Recolhi o olhar

Aprisionei as palavras

Senti a solidão entrar,

Consciente de ferir o coração

E de pôr os pensamentos a hibernar

Sacudo o tempo

Salto para a vida,

Dou liberdade aos dias para voar

Guardo o que é bom de guardar

E ao abrir a porta

Sinto o vento a soprar

Até a alma arejar…

Albergue de emoções

Terra despida

Em raízes envolvida

Sementes que brotam

Desejo fértil de vida

Refúgio,

Terra prometida

Dias que amadurecem

Sombras que florescem

Traços que marcam o rosto

Luz que permanece além do sol-posto,

Terra vivida

Albergue de emoções

Instantes constantes

Renovar de estações…

Dar sentido aos Sentidos

Gosto de te ver

De olhar no teu olhar sarado

Despreocupado,

Sentir as tuas mãos livres

O teu abraço apertado

Aconchegado,

Ouvir em silêncio as tuas palavras

O teu discurso letrado

Enfeitiçado,

Mergulhar no odor da tua pele

No veludo acastanhado

Perfumado,

Trocar os meus beijos pelos teus beijos

Esse sabor frutado

Apaixonado,

Gosto de dar sentido aos sentidos…