Sentir Janeiro

Embebida na luz que me rodeia

Aconchego-me no amor

No presente com que a vida me presenteia

Na imensidão de emoções que põe ao meu dispor.


Pousa no meu colo um novo ano

Deixo algumas memórias para trás

Traço novas marés no oceano

Comigo segue a melodia do mar e da paz.


Abro o coração e deixo as palavras entrar

Abrigo-me no silêncio saboreando poesia

Dou ao olhar liberdade para voar

Recebo Janeiro semeando um sorriso em cada dia.

… Tempo …

Quando as palavras não saem

São as lágrimas que caem

Só o silencio me consegue ouvir

E só o coração me pede para não desistir.

Há dias em que o tempo não está para sorrir

Perco o alcance do que tinha alcançado

Procuro-me para me voltar a encontrar

E nesta viagem,

Poemas melhores hão de vir

Acredito que as palavras nem sempre me traem

E o tempo é uma constante

Liberto-me de lugar em lugar.

Dezembro

Chegou dezembro

Coberto de frio

Adivinhando o inverno

No alto do seu ar pomposo

Não se sentindo menos majestoso

Por ser o último a chegar.


Traz o aconchego do lar

Abraça histórias do ano prestes a findar

Sem tristeza de ver as folhas caindo

Abre espaço para ver a família reunindo

São dias vestidos de luz e união

Dezembro completa-se com muito amor no coração.

E de repente o outono

E de repente o outono

Retratado no tempo

Nas manhãs despidas pelo vento

Entre as folhas amarelecidas

E na chuva que vem espreitar

Os dias que se deixam encurtar.


E de repente o outono

Um novo tempo a acontecer

Gestos que amadurecem o olhar

Vontade acesa de recriar

A estação que a terra vai vivenciar

E que na pele vem pousar.

Abri a porta…

Ao fechar a porta

Recolhi o olhar

Aprisionei as palavras

Senti a solidão entrar,

Consciente de ferir o coração

E de pôr os pensamentos a hibernar

Sacudo o tempo

Salto para a vida,

Dou liberdade aos dias para voar

Guardo o que é bom de guardar

E ao abrir a porta

Sinto o vento a soprar

Até a alma arejar…

Silenciosamente

E de repente o silêncio

O céu despido de asas

O sossego da escuridão

As estrelas que parecem brasas

Ardentes na imensidão.



E neste silêncio

Brindo ao sabor do anoitecer

Com o rosto vestido de luar

Adormeço entre os sonhos

E a luz que me faz despertar.


Silenciosamente

O dia acaba de chegar…

…Entre aromas…

Recolhi os aromas da minha infância

Semeados na cadência do tempo

Com eles soltaram-se os sonhos

Os segredos soletrados às estrelas

A inocência da idade

Que voava nas asas do vento,

Cada dia tinha um sabor

Um novo alento,

E as horas pousavam devagar

Livres,

Dentro do meu olhar

Guardo esta cumplicidade

Com saudade…

…Dar tempo ao dia…

O relógio prendeu-me o corpo

Não acordei com a madrugada

As horas fizeram a sua própria caminhada

Não serei eu a entregar-te a manhã

A minha rotina tão desejada.



Amanhã deitarei as horas no meu regaço

Para não sofrer tal embaraço

Quero iluminar o teu amanhecer

Afastar a fadiga das horas

Dar tempo ao dia para o teu viver.