Silenciosamente

E de repente o silêncio

O céu despido de asas

O sossego da escuridão

As estrelas que parecem brasas

Ardentes na imensidão.



E neste silêncio

Brindo ao sabor do anoitecer

Com o rosto vestido de luar

Adormeço entre os sonhos

E a luz que me faz despertar.


Silenciosamente

O dia acaba de chegar…

…Entre aromas…

Recolhi os aromas da minha infância

Semeados na cadência do tempo

Com eles soltaram-se os sonhos

Os segredos soletrados às estrelas

A inocência da idade

Que voava nas asas do vento,

Cada dia tinha um sabor

Um novo alento,

E as horas pousavam devagar

Livres,

Dentro do meu olhar

Guardo esta cumplicidade

Com saudade…

…Dar tempo ao dia…

O relógio prendeu-me o corpo

Não acordei com a madrugada

As horas fizeram a sua própria caminhada

Não serei eu a entregar-te a manhã

A minha rotina tão desejada.



Amanhã deitarei as horas no meu regaço

Para não sofrer tal embaraço

Quero iluminar o teu amanhecer

Afastar a fadiga das horas

Dar tempo ao dia para o teu viver.

Feliz Ano Novo

Como se fosse o vento

Como se tivesse asas

Fecho os olhos

Corro,

Voo,

Avanço o tempo

Estendo os braços

Agarro este momento

Para te entregar abraços

Que comigo guardei,

Sabendo que hoje era o dia certo

Abri os olhos e te abracei.


Peço ao vento que transporte a mensagem

Que a faça soar na sua viagem

Feliz Ano Novo

Não sei como te dizer…

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Não saberei como te dizer
Que o olhar que vês nos meus olhos
São lembranças
Que caem aos molhos
No corpo vestido de saudade
Pelo tempo que costurava as horas
Sem as transportar a todo o vapor
E o olhar respirava a fragrância do dia
Até lhe sentir o sabor.

Não sei bem como te dizer…

… Fio a Fio …

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Alinhavo o olhar
Traço o sentido do coração
Costuro as linhas do tempo
Debruo ponto a ponto
O caminho que escolhemos caminhar
Dou cor ao respirar
Como se estivesse a entrelaçar
Fio a fio,
O meu amor ao teu.
Assim nascem as palavras
Agarradas aos sonhos
Que não deixam a vida parar.

 

Abrir a porta ao dia !

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E das tantas vezes que abri a porta
Nunca o dia me atraiçoou com sua cor
Hoje balbuciou a tristeza de uma noite morta
Atingida por um pesadelo preso na dor.

Descortinou o tom acinzentado do céu
Assim que o relógio bateu na madrugada
Depressa estendeu a cor da manhã como um véu
Deu ao dia a rotina por todos nós esperada.

As horas percorriam o mesmo caminho
As cores assentavam no mesmo lugar
O dia ensoalheirou, mas suspirava sozinho
O quanto desejava poder a noite abraçar.

Vestem a cumplicidade de uma amizade
Exposta entre o amanhecer e o anoitecer
Entregam-se sem quebrar a liberdade
De dar aos anos, aos meses e aos dias ser.

Nem sempre o dia é de alegria
Mas felicita-nos com a sua companhia
Todos os dias se abre para o dia!

… Hoje tenho tempo…

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… Porque hoje tenho tempo
Vou passear o olhar
Naquele livro que arrumei
Sem a leitura findar…

… Porque hoje tenho tempo
Vou sorrir e reviver
A amizade e os momentos bem passados
Naqueles retratos guardados…

… Porque hoje tenho tempo
Vou sentir o respirar das flores
Cuidar dos seus canteiros
Absorver a beleza e os seus odores…

Como hoje tenho tempo
Vou abrir a minha caixa de pandora
Contar-te segredos e histórias
Porque nunca tive tempo até agora…

… Porque hoje tenho tempo
Vou gastar minutos para te telefonar
Escutar os teus desabafos
Sem ter pressa para desligar…

… Porque hoje tenho tempo
Vou abraçar a melodia
Que me faz rodopiar a alma
Me toca e me enche de alegria…

Como hoje tenho tempo
Vou abrir a janela para o sol entrar
Deixar o corpo simplesmente relaxar
Com tempo para este tempo apreciar…

 

Entre a noite e o dia

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A noite roubou-me o dia
O sono perdeu-se no escuro
O meu corpo deambula e fantasia
Mostra-se no seu estado mais puro.

O quarto cheira a sonhos acabados de entrar
O coração fecha-se e finge adormecer
As palavras recolhem e param de conversar
O amor penetra na noite até amanhecer.

Ergue-se a madrugada de rosto lavado
A janela abre-se para acolher o sorriso do dia
As insónias vincaram um retrato ensonado
Mas o corpo desperta e veste-se de ousadia.

… A noite devolveu-me o dia…

A vida do dia …

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O dia abriu-se à vida
Vestiu-se de sol e de tempo
Percorreu sem pressa,
A esquina que cruza com a rotina
O lugar onde os passos se exprimem
Marcam a vontade de recomeçar
De acolher a vida deste novo despertar.

A vida estende-se ao dia
De aparência doce e serena
Inquilina de constante sabedoria
Caminha sob um batimento constante
Carrega a leveza de viver cada instante
Com as cores que definem o olhar
Com os gestos que mexem cada acordar.