…Era um poema…

Chegou como se viesse do Norte

Dentro da minha imaginação

Vinha bem apresentado e de caracter forte,

Nada fazia prever

Que as palavras que o faziam mover

Eram aquelas que eu gostava de ler.

Senti um trago a paixão

Um silêncio que mostrava o bater do coração.

Segui-lhe os passos

Com os meus sentidos um pouco perdidos

Pousados sob as rimas e os versos que entoava,

Vi o amanhecer dar lugar ao entardecer

Era um viajante com tempo no rosto

Sem pressa de recolher

Era um poema

Como eu gostava de ser!

Queria que soubesses…

Queria que soubesses

Que o pouso das minhas palavras

É um aconchego de sentimentos

Um esvoaçar de momentos

Um costurar de tempo

Voos de imaginação

Caminhos de liberdade

Um espreguiçar de vontade

Um alimentar de sonhos

Reencontro de lembranças

É esse quebrar de céu

Que me deixa voar

Sem ter asas…

            Queria que soubesses

Identidade

Conheço-me

De perto

Tal como sou

Entrego-me

De coração aberto

Sei o que dou,

Habito

Dentro e fora de mim

Traços novos caminhos

Mas sei de onde vim,

Colho na madrugada

Essência que se dissolve assim

Entre o silêncio do corpo

E a inocência das palavras

Cúmplices até ao fim.

…Entre poemas…

Constantemente inconstante

Da poesia amante

Desfio as palavras

E com elas teço uma história

Entre olhares,

Onde perdura a memória

De diálogos que imaginei

Poemas que inventei

Todos pulsam no coração

Imaginados ou retratados

Ilustram a minha imaginação.

Tudo se inventa,

Constantemente se cria

Sou variável inconstante

Entre os versos e as rimas

Que me fazem companhia…

… Pontes …

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Traço pontes com o olhar
De tanto imaginar
A liberdade que as palavras
Ao longe
Podem alcançar.
Ao perto
O meu olhar é indefinido
Flutua como perdido
Com dificuldade de avistar
A travessia que quero rasgar
Com os poemas que trago no olhar.

Não sei como te dizer…

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Não saberei como te dizer
Que o olhar que vês nos meus olhos
São lembranças
Que caem aos molhos
No corpo vestido de saudade
Pelo tempo que costurava as horas
Sem as transportar a todo o vapor
E o olhar respirava a fragrância do dia
Até lhe sentir o sabor.

Não sei bem como te dizer…

A palavra das palavras

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As palavras saem pela noite
Respiram silenciosamente
Como se fossem declamar um poema,
O céu abre-se para as acolher
As estrelas cintilam em constelação
E a lua cresce ao deixar-se levar pela tentação
De ouvir as conversas que surgem na escuridão.
Sem ninguém saber
Todas as noites as palavras se reúnem
Receosas de perder o conteúdo
De ficarem vazias e a memória morrer.
Respiram saudosamente
O tempo que não precisavam de se recolher.

 

Parte Incerta…

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São palavras que escondem palavras
Em livros comidos pela traça
Poemas que mudaram de lugar
Versos esquecidos que tiveram que se ausentar
Todos partiram para parte incerta
Levando apenas a solidão
Nada tendo para os acompanhar.
Já não há eco de leitura
Nem paisagens de bravura
Os contos perderam-se das histórias
O tempo suspendeu as memórias
Ninguém bate à porta de ninguém
O medo abraçou esta textura
O olhar fugiu e deixou-se cegar
Enterrou-se nesta loucura.

Entre versos

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Percorri todos os meus versos
Com o desejo de te encontrar
Comecei pela textura
Pelo toque que entranha na pele
Passando pela leitura
Pela quietude de cada letra
Até me envolver na doçura
No degustar das palavras
Que me levam até ti
Perdi-me…

Poetas

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Aprendi a falar com as palavras
A enamorar-lhes o sabor
A escutar a leveza
O traço de delicadeza
Do manto que descobre
Os segredos dos poetas
Quando despem a alma
E aconchegam os sentidos
No corpo de um poema
Onde as palavras
São sussurros de amor…