Albergue de emoções

Terra despida

Em raízes envolvida

Sementes que brotam

Desejo fértil de vida

Refúgio,

Terra prometida

Dias que amadurecem

Sombras que florescem

Traços que marcam o rosto

Luz que permanece além do sol-posto,

Terra vivida

Albergue de emoções

Instantes constantes

Renovar de estações…

Amanhecer com poesia

Dou a mão ao amanhecer

Abro a porta para o sol entrar

Arrumo o corpo para bem parecer

Sigo caminho com a felicidade no olhar.


Levo comigo os poemas acabados de acordar

Ajeito as palavras para não as perder

O dia cresce sereno com vontade de se dar

E a poesia solta-se para quem a quiser ler.

A vida a florir

O dia amanheceu a florir

Abri as cortinas para o sol entrar

O silêncio da noite foi saindo devagar

Senti os poros da minha pele a brotar


O corpo acorda e reage ao dia

Como se fosse uma flor de um jardim

Talvez um malmequer, um lírio ou jasmim

Absorvo o perfume e guardo-o em mim


Sigo a raiz que faz os dias florescer

Mas nem sempre entendo o seu crescer

Por vezes o que é certo faz-me perder

E o acaso dá-me tempo para escolher


A cada passo

Há um dia a florir, o corpo a reagir

E a vida a fluir…

…O que trago em mim…

Se hoje escrevesse um poema

Escolheria palavras leves

Transparentes e coloridas

Como a alma do autor,

Um poeta madrugador

Vestido de vontade

Conjugando o olhar e o sentir

Expondo-se entre rimas e versos

Com o tempo que deixa fluir…

Nem sempre sei o que trago em mim

Se hoje escrevesse um poema

Começaria certamente assim…

Singularidades …

Debruçada na vida

Neste espelho singular

Que me traz memórias vividas

Recordo palavras ditas ao luar

Desarmadas,

Em madrugadas jamais esquecidas.

Neste conjugar de pensamentos

Transporto algumas rugas na idade

Mas não faço do passado saudade

Darei ao tempo o que é do tempo

E aos meus dias contarei histórias

Que fazem a vida sorrir

Esticando o caminho de existir.

…Era um poema…

Chegou como se viesse do Norte

Dentro da minha imaginação

Vinha bem apresentado e de caracter forte,

Nada fazia prever

Que as palavras que o faziam mover

Eram aquelas que eu gostava de ler.

Senti um trago a paixão

Um silêncio que mostrava o bater do coração.

Segui-lhe os passos

Com os meus sentidos um pouco perdidos

Pousados sob as rimas e os versos que entoava,

Vi o amanhecer dar lugar ao entardecer

Era um viajante com tempo no rosto

Sem pressa de recolher

Era um poema

Como eu gostava de ser!

Queria que soubesses…

Queria que soubesses

Que o pouso das minhas palavras

É um aconchego de sentimentos

Um esvoaçar de momentos

Um costurar de tempo

Voos de imaginação

Caminhos de liberdade

Um espreguiçar de vontade

Um alimentar de sonhos

Reencontro de lembranças

É esse quebrar de céu

Que me deixa voar

Sem ter asas…

            Queria que soubesses

Identidade

Conheço-me

De perto

Tal como sou

Entrego-me

De coração aberto

Sei o que dou,

Habito

Dentro e fora de mim

Traços novos caminhos

Mas sei de onde vim,

Colho na madrugada

Essência que se dissolve assim

Entre o silêncio do corpo

E a inocência das palavras

Cúmplices até ao fim.

…Entre poemas…

Constantemente inconstante

Da poesia amante

Desfio as palavras

E com elas teço uma história

Entre olhares,

Onde perdura a memória

De diálogos que imaginei

Poemas que inventei

Todos pulsam no coração

Imaginados ou retratados

Ilustram a minha imaginação.

Tudo se inventa,

Constantemente se cria

Sou variável inconstante

Entre os versos e as rimas

Que me fazem companhia…