… O meu mar …

O mar é meu vizinho

De tantas vezes que o vi

Apenas hoje o senti naufragar

Sozinho,

Perdido à deriva no meu olhar

Procurava refúgio

Alguém com quem desabafar.

Já a brisa o tentava animar

Dar rumo às marés

Iluminando as madrugadas

Como se fosse um farol

Onde os corpos salgados

Se vão abrigar

Das tempestades do mar

De tanto ele amar…

Um mar de Paixão

Ouvi os queixumes do mar

Entristecido,

Já se tinha lamentado à lua

Desabafava sobre a terra

Que por vezes amua

Flutua como as marés

Desorientada

Com o olhar longe,

Desgostoso

O mar encobre-se no nevoeiro

Saudoso de lhe salgar a pele

Navegar no horizonte do seu corpo

Espalhar na brisa o que guarda no coração

Sente pela terra um mar de paixão.

Navegando

O olhar estendeu-se até ao mar

A memória embarcou no seu ondular

Nos tempos onde os sonhos

Ficavam para além do horizonte

Distantes da vista alcançar.

Hoje o olhar um pouco cansado

Encontra a felicidade deste lado

Onde as marés se juntam

E a brisa vai trazendo desejos

Neste mar aberto

Que será sempre navegado por sonhos

E banhado por beijos…

O meu olhar

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Levei o meu olhar até ao mar
Deixei a água entrar na minha pele
Navegar em todas as frestas
E o meu corpo salgar,
Como se fosse um manto de espuma
Onde o mar se vem enrolar
E mergulhar em mim…

Ao ver a imensidão do mar
O olhar fechou os olhos
Pensou na liberdade de voar
De levar no aconchego do regaço
As palavras à deriva no pensamento
Entre a voz que silencia o momento
Neste mar que habita em mim…

… a ver o mar …

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Perdi o olhar a olhar para o mar
De tanto imaginar até onde me poderia levar
Quantas marés a minha alma irá vivenciar
Quantos luares a minha janela irá encontrar.

Quantos segredos pedi ao mar para guardar
Quantas noites adormeci com o seu embalar
Tantas vezes sonhei que me vinha buscar
Cúmplices na vontade de partir e voltar.

Sinto o olhar a olhar para o mar
Satisfeito de tanta beleza contemplar
Quantos medos pedi ao mar para afogar
Quantas lágrimas enxuguei a ver o mar.

O meu mar…

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Amanheceu com o ondular do mar a bater na soleira da porta.
Os búzios e as conchas quebram o silêncio, tamanha é a agitação ao entrarem desenfreados pelo portão que guardava a casa.
O cheiro a maresia penetra pelas frinchas e depressa se espalha pelas paredes que aconchegam o espaço onde o meu corpo dormitava.
Subitamente, a maré vazia que circundava a casa se enche de vida e até o sol se vem espraiar no meu jardim.
Abro a janela e acolho o olhar na beleza das hortênsias, cujo canteiro se apresenta bem vestido e colorido.
Por entre todos os cantos de flores navegam salpicos de diferentes cores que se misturam com os seus odores.
E toda a casa respira mar.
E eu, neste vai e vem, entrego-me ao balançar da minha cadeira amarela onde colho o repousar que me faz acordar todos os dias nesta terra a entrar pelo mar…

 

O meu horizonte

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Traço o meu horizonte
Sem margens,
Espaço aberto a novas viagens
Onde o caminho é longo
O existir é curto,
Esgravato o tempo
Estico o olhar para lá chegar
Venho sem pressa,
Do outro lado da terra
Comigo trago a vontade
De encontrar um mar
Uma linha onde atracar
A vida que levo a navegar.

A paixão do mar

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O mar vestiu-se a preceito
Acalmou o seu jeito
Aquele ondear encrespado
Que mostra quando está insatisfeito,
Embebe-se na espuma
Vaidoso,
Encobre-se na sua bruma
Ansioso
Que a terra se desnude
Mergulhe no seu corpo
Em toda a sua amplitude
E se deixe repousar
No amor do seu mar.

A terra ouve o lamento
Transportado pelo vento
Sabe que é hora de partir
De sossegar o seu sentir,
Apressa-se,
Segue o voo das gaivotas
Leve,
Asas que pintam o azul do céu
Libertam o majestoso véu
E a pele salga-se de mar
Sente-se pronta para abraçar
A infinitude do olhar
Que une a terra e o mar.

 

Entre o rio e o mar

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“Sou rio que só conhece o teu mar”

Sou rio
Para no teu mar desaguar
Nos teus braços ondear
Provar o sabor do teu sal
Entre o vento e tempestades
Ir mais longe e mais além
Entregar-me às marés
Onde vais e vens
Banhar-me na tua espuma
Deixar-me ir
Na água que resfria
Sob o manto da tua bruma
Cair na tua profundidade
No abismo do desejo
Naufragar no teu oceano.