Um mar de Paixão

Ouvi os queixumes do mar

Entristecido,

Já se tinha lamentado à lua

Desabafava sobre a terra

Que por vezes amua

Flutua como as marés

Desorientada

Com o olhar longe,

Desgostoso

O mar encobre-se no nevoeiro

Saudoso de lhe salgar a pele

Navegar no horizonte do seu corpo

Espalhar na brisa o que guarda no coração

Sente pela terra um mar de paixão.

Navegando

O olhar estendeu-se até ao mar

A memória embarcou no seu ondular

Nos tempos onde os sonhos

Ficavam para além do horizonte

Distantes da vista alcançar.

Hoje o olhar um pouco cansado

Encontra a felicidade deste lado

Onde as marés se juntam

E a brisa vai trazendo desejos

Neste mar aberto

Que será sempre navegado por sonhos

E banhado por beijos…

O meu olhar

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Levei o meu olhar até ao mar
Deixei a água entrar na minha pele
Navegar em todas as frestas
E o meu corpo salgar,
Como se fosse um manto de espuma
Onde o mar se vem enrolar
E mergulhar em mim…

Ao ver a imensidão do mar
O olhar fechou os olhos
Pensou na liberdade de voar
De levar no aconchego do regaço
As palavras à deriva no pensamento
Entre a voz que silencia o momento
Neste mar que habita em mim…

… a ver o mar …

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Perdi o olhar a olhar para o mar
De tanto imaginar até onde me poderia levar
Quantas marés a minha alma irá vivenciar
Quantos luares a minha janela irá encontrar.

Quantos segredos pedi ao mar para guardar
Quantas noites adormeci com o seu embalar
Tantas vezes sonhei que me vinha buscar
Cúmplices na vontade de partir e voltar.

Sinto o olhar a olhar para o mar
Satisfeito de tanta beleza contemplar
Quantos medos pedi ao mar para afogar
Quantas lágrimas enxuguei a ver o mar.

O meu mar…

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Amanheceu com o ondular do mar a bater na soleira da porta.
Os búzios e as conchas quebram o silêncio, tamanha é a agitação ao entrarem desenfreados pelo portão que guardava a casa.
O cheiro a maresia penetra pelas frinchas e depressa se espalha pelas paredes que aconchegam o espaço onde o meu corpo dormitava.
Subitamente, a maré vazia que circundava a casa se enche de vida e até o sol se vem espraiar no meu jardim.
Abro a janela e acolho o olhar na beleza das hortênsias, cujo canteiro se apresenta bem vestido e colorido.
Por entre todos os cantos de flores navegam salpicos de diferentes cores que se misturam com os seus odores.
E toda a casa respira mar.
E eu, neste vai e vem, entrego-me ao balançar da minha cadeira amarela onde colho o repousar que me faz acordar todos os dias nesta terra a entrar pelo mar…

 

O meu horizonte

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Traço o meu horizonte
Sem margens,
Espaço aberto a novas viagens
Onde o caminho é longo
O existir é curto,
Esgravato o tempo
Estico o olhar para lá chegar
Venho sem pressa,
Do outro lado da terra
Comigo trago a vontade
De encontrar um mar
Uma linha onde atracar
A vida que levo a navegar.

A paixão do mar

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O mar vestiu-se a preceito
Acalmou o seu jeito
Aquele ondear encrespado
Que mostra quando está insatisfeito,
Embebe-se na espuma
Vaidoso,
Encobre-se na sua bruma
Ansioso
Que a terra se desnude
Mergulhe no seu corpo
Em toda a sua amplitude
E se deixe repousar
No amor do seu mar.

A terra ouve o lamento
Transportado pelo vento
Sabe que é hora de partir
De sossegar o seu sentir,
Apressa-se,
Segue o voo das gaivotas
Leve,
Asas que pintam o azul do céu
Libertam o majestoso véu
E a pele salga-se de mar
Sente-se pronta para abraçar
A infinitude do olhar
Que une a terra e o mar.

 

Entre o rio e o mar

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“Sou rio que só conhece o teu mar”

Sou rio
Para no teu mar desaguar
Nos teus braços ondear
Provar o sabor do teu sal
Entre o vento e tempestades
Ir mais longe e mais além
Entregar-me às marés
Onde vais e vens
Banhar-me na tua espuma
Deixar-me ir
Na água que resfria
Sob o manto da tua bruma
Cair na tua profundidade
No abismo do desejo
Naufragar no teu oceano.

Terra e Mar

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A terra abraça o mar
Entre salpicos, ele a vem beijar
Escolhe a maré para acostar
Enrolados em lençóis de água
Banham-se na espuma
Até ele se libertar.

Ancorada à nudez do seu olhar
A terra vai e vem no seu ondear
Pelo prazer de o sossegar
Deixa-se ir
Em silêncio, amainando a água
Somente para o contemplar.

O mar embarca sôfrego de desejo
Incerto que a terra o volte a acalmar
Agita-se em gemidos e queixumes
Desassossega e enfurece os oceanos
Afunda-se de desgosto, lavado em ciúmes
Deixando a terra ansiosa para o ver chegar.