Um novo olhar…

De mãos vazias

Mas estendidas ao mundo

Vagueia pelas ruas

Um olhar,

Um silêncio vagabundo

Que se mostra clandestino

Perdido na penumbra

Como se andasse sem destino.



 

Temido pelo tempo

Entre um passado vivido

E um futuro talvez esquecido

Este olhar,

Embora um pouco desajeitado

Não é alheio à miragem

De ver o céu estrelado

E de com ele seguir viagem.



 

Um olhar

Que hoje é meu

Amanhã poderá ser o teu

De mãos vazias

Mas abertas a cada acordar

Onde nasce sempre um novo olhar…

De dentro de mim…

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Solta-se de dentro de mim
A aurora que desperta o dia
Que desamarra os segredos
Guardados pela pele
Enquanto dormia.
O rosto pousa silenciosamente
O olhar no espelho
E sacode o retrato
Ainda um pouco desarrumado,
Vestindo apressadamente o tato
Para compor a figura
Não querendo mostrar amargura.
Solta-se de dentro de mim
Um pouco de ingenuidade
Um sorriso que toa a verdade
E a voz, até então guardada
Respira enchendo-se de vaidade.
Solta-se de dentro de mim
Um esvaziar de palavras
Que se entregam ao dia,
E assim, vivo…

Rotina dos dias…

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Todos os dias olho para o céu
Todos os dias me parece igual
Ainda assim,
Sinto que por vezes me entristece,
Repleto de nuvens quando amanhece
Há dias em que mostra um sorriso
Colorido no rosto,
Satisfeito e bem-disposto.
O meu olhar estende-se no seu olhar
O que me leva a reparar
Que estando sempre no mesmo lugar
Vive os dias sem os igualar.
Todos os dias olho para o teu olhar
Tendo o céu por perto a acompanhar
Ainda assim,
Todos os dias gosto de te amar.

 

… Sinfonia …

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A pele entrega-se ao vibrar
Os poros deixam-se arrepiar
E as palavras escorregam
Pelo compasso de tempo
Que faz as notas tocar.

Do coração saem histórias
Letras que desafiam memórias
E o corpo agarra-se à melodia
Que entranha na alma
E faz deste sentir uma sinfonia.

Tal é a vida
Um concerto de sentimentos!

Antes que …

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Guardo o silêncio da solidão
Antes que o barulho se alastre
E se aloje no coração

Adormeço a tristeza
Antes que o manto desperte
E acorde a minha leveza

Recolho as palavras perdidas
Antes que se sintam órfãs
E se isolem deprimidas

Apago a sombra da minha voz
Antes que fuja a poesia
E os sonhos acabem sós

Limpo o corpo do cansaço
Antes que se estenda pela alma
E se aproprie do meu espaço

Costuro as minhas memórias
Antes que o tempo as perca
E não as conte como histórias

Revelo o retrato dos dias
Antes que as cores desbotem
E a rotina me roube as alegrias

Antes que a brisa me leve
Verto a linguagem que traduz a essência
O refúgio da minha existência.

 

Às vezes…

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Às vezes
Adormeço o olhar
Num sono profundo
Só de olhos fechados
Escuto os segredos
Que trago dentro de mim
E iluminam o meu acordar.

Às vezes
Rasgo o horizonte
Num denso navegar
Nesta sede que não tem fim
De coração aberto
Para os que vivem
Dentro do meu olhar.

Às vezes
Trago na voz
As palavras do meu olhar…

 

… Felicidade

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Voo no movimento do vento
Sussurro-te o meu silêncio
Deixo-te na pele a poesia
A essência que brota
Da cumplicidade
Que soletro
Na tua companhia.
Alimento o pensamento
Com o amor
Que nasce deste momento!
… Dei-lhe o nome de felicidade …

Entre o dia e a noite

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A noite devolveu-me ao dia
O corpo desembrulha-se para acordar
A pele ainda transpira a fragrância de sonhar
O pensamento teima em não se levantar
As palavras ainda a dormitar
Estremecem com o sol a espreitar.

Encontro-me com o espelho num breve olhar
Não lhe dou tempo para me enganar
Pinto o rosto com um sorriso singular
Poiso no corpo asas para voar
E ouso saciar a vontade de viver o dia
Até o cansar e a noite me vier buscar.

Quero ser habitada…

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Fiz de ti
A minha morada
Quero ser habitada…

A casa pode ser recatada
Caiada,
À beira mar plantada
Talvez,
Uma flor à entrada
Uma borboleta pousada
E um bando de passarada!
Uma casa iluminada
Entre sonhos
Debruada…

É para mim
A morada
Onde vou ser amada…

 

Queria ser uma estrela!

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A noite reluzia a elegância do manto que lhe movia o corpo, enquanto o silêncio acentuava os passos descomprometidos que pisavam a calçada.
Silhueta vincada pelo mistério que se fazia sentir em cada esquina que dobrava, entre o reduzido feixe de luz e a sombra que a perseguia.
Dada a um movimento de leveza que lhe desnudava ainda maior beleza.
Amante confessa das horas que cobrem os dias e os pintam de uma escura tonalidade, a penumbra. Vivia a noite como mais ninguém a via…
Conhecia de cor os lugares cobertos pelos luares que incendiavam o céu.
Entre rumores dizia-se que apenas o retrato da noite a preenchia e todas as noites o seu sonho se cumpria.

Queria ser uma estrela!