O outono dos dias

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Espalho folhas
Levemente desenhadas
Douradas,
Para cobrir a pele das árvores
Caladas,
Sem movimento
Entregues ao desalento
Ao outono dos dias
Que vincam o tempo
E marcam a quietude
Dos gestos que ecoam
O silêncio das ruas.
Tento criar a ilusão
De vestir a estação
Espalho folhas pintadas
Outras nuas,
Onde escrevo histórias
E entrego-as ao outono
Como sendo suas…

Palavras… nuas

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Agora
Que a terra rodou
E o verão timidamente chegou,
Mudo apressadamente de direção
Dou às letras diferente inclinação
Enquanto dispo as palavras
Nesta liberdade da imaginação
Para que sintam a leveza
O sorriso da natureza
Que veste a nova estação.

 

A Primavera a chegar!

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Voam pétalas de flores
Soam brisas de odores
Despertam melodias
Rendidas à beleza
À essência da natureza
Que embala o tempo
Acorda os pássaros
Atenta à mutação
Ao correr das horas
Ao sucumbir da mudança
Que avizinha a nova estação.
Agarro essas voltas da terra
Essa entrega sem condição
Que cura as asas feridas
Despe o véu do céu
E guarda a lembrança
Do soprar do vento e da sua dança
Nesta viragem de liderança.
Marcamos passagem
De novo ao encontro
De mais uma viagem.
Chegamos à Primavera!

O inverno a chegar

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Desassossegado
Assim está o vento
Ora leve ora pesado,
Furioso e descontrolado
Quem o terá chateado?
Visível a inquietação
Resta a solidão
Nesta terra deserta,
Sossego sombrio
Que afugenta os pássaros
Despe as árvores
E arrasta o frio.
O dia fecha-se em si próprio
Parece triste e desiludido
Tudo à volta é pacato
Sem ruído,
Será que está perdido?
A chuva lavou as cores
Regou demais as flores
Até as palavras
Escorrem pelo chão
Folha entre folha
Encharcam o caminho
Seguem em contramão.
As ruas perderam o diálogo
Vazias e sem brilho
Vivem agora dos lampiões
Que iluminam os serões
Gastos pelo tempo
À procura de movimento.
O que é feito da gente?
Recolheram os passos
Agasalham as conversas
Costuram as emoções
Enquanto aquecem o olhar
No sussurro do vento
Que o inverno foi buscar.

Dizem… que é outono

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Diz-se…
Que é a quietude da alma
Que cai sob a essência das folhas
E num feitiço de cores
Pintam a natureza
De tons quentes
Que aquecem o olhar
No estalar do frio
Que nos vem visitar.

Diz-se …
Que é o adormecer dos dias
Entre o céu acinzentado
E o sol amedrontado
Com o soprar do vento
E o cair da chuva
Que lhe roubam o raiar
Esconde-se deprimido
E só às vezes vem espreitar.

Diz-se …
Que é o colher de sensações
Um curar de feridas e cicatrizes
Um remexer de emoções
Entre o refúgio das lembranças
E a audácia das mudanças
Num bater de asas
Rumo a novas fragrâncias
Abrigo de todas as estações.

Dizem…
Que é o outono.

Convite de verão

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Recebi com agrado o convite
Para felicitar a nova estação
Visto-me de palavras
Não tenho vestido novo
Para me apresentar ao verão
Aprumo o pensamento
Para ficar leve e esvoaçante
Pinto o olhar para ficar brilhante
Não quero parecer deselegante.

De mãos livres
Sorrio confiante
Aos olhares agitados
Em rostos curiosos
Colados ao movimento
Dos versos e das rimas
Que embelezam o meu corpo
Vaidosa pela proeza
De poder mostrar tal beleza.

O céu azul mostra um sorriso
O mar envolve-se de improviso
O dia veste-se de cor
O vento espalha calor
Eu trajada de poesia
Todos serenos, mas a rigor
Aguardamos o momento
De ver chegar o verão
Disfrutar da calorosa estação.

Abre portas a tantos odores
Dos frutos maduros
Até à fragrância das flores
A paisagem envolve-se de cores
Explode a paixão dos amores
Envolvidos na emoção da estação
Abraçam o sol e o mar
Entre o amanhecer e o anoitecer
Apuram os sentidos para amar.