Chegou dezembro

Chegou dezembro

Frio e molhado

Procura um regaço

Um lugar aconchegado

Onde aquecer o tempo

Para sentir de novo a pele

No corpo pelo vento moldado.


Chegou dezembro

Mas a casa está vazia

Fechada e sem companhia

Não há quem a venha habitar

Faltam abraços para reconfortar

O ano está cansado e triste

A pandemia não o deixa sossegar.

Soa a Silêncio

Soa a silêncio

A chuva que embala o outono

Folha a folha vai molhando

E os dias desbotando,

Ecoa a sossego

A brisa que na pele vai caindo

E o olhar vai despindo,

Soa a agasalho

O tempo que nos faz amadurecer

A cada estação renascer.

Outono

O dia amadurece

Como sendo um fruto,

Um rosto que envelhece

Semente deitada à terra

Colheita que a terra nos oferece.

As horas rodeiam a vida

E a natureza não fica desapercebida

Abre mão à ceifa

Que leva consigo o verão

E num sopro traz o vento

Debulhando o grão da nova estação.

Entre as folhas caídas

E as árvores que ficarão despidas

O olhar permanece

Atento ao desnudar

Que no outono acontece…

Vem, Primavera…

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Vem, Primavera
Traz contigo a liberdade
A poesia e a saudade,
Não deixes nunca de sonhar
Ainda que o sol esteja a adiar
A sua estadia não deve tardar.

Vem, Primavera
Quero sentir o teu colo em meu redor
Colher os teus poemas de amor
Voar de céu em céu com os pássaros no olhar
Ouvir o que o tempo tem para contar
Deixar as tuas cores a minha vida pintar.

Vem, Primavera!

O olhar da chuva

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Não sei se será o frio
Ou talvez o arrepio
Que faz ventar o dia
E alimenta a correria
Da chuva que cai sem parar
E na terra se vem abrigar.

É o céu que silencia
O barulho da chuva que não finda
Gota a gota mudam os odores
E a beleza que acolhe a natureza
Veste-se de olhares e novas cores
Além da chuva que cai ainda…

Talvez o outono…

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Se o outono soubesse
Que o meu coração entristece
Tal como o dia escurece
E que o meu corpo rodopia
Tal como o vento assobia
Talvez o outono quisesse
Levar-me como uma folha
Num voo que só ele conhece.

Se o outono soubesse
Que a minha alma engrandece
Sempre que o sol aparece
E que a minha pele floresce
Tal como a vida cresce
Talvez o outono pudesse
Despir o olhar que esmorece
Reavivar a memória que envelhece.

Entrego-me ao outono
Como se ele soubesse
De mim… Talvez

Primavera!

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Agora que a primavera chegou
E o inverno já se sente recolhido
O corpo inverte o sentido
Rumo à nova estação
Onde o coração se veste de cor
E a pele floresce
Como se fosse uma flor.

Agora que o inverno acabou
E a primavera já se instalou
O olhar despe-se do frio
Abriga-se na beleza
No toque do perfume verdejante
Que o oficio da natureza
Espalha numa simbiose radiante.

Uma doce leveza se plantou
Dentro de mim
O amor despertou
Agora que a primavera chegou…

E de repente…

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E de repente,
Oiço passos que estremecem
Nas ruas frias e molhadas
Folhas e folhas amarelecem
Pela chuva e pelo vento são levadas
Arrastadas pela melancolia
Que o inverno traz ao dia.

E de repente,
Sinto os dias a escurecer
As árvores despidas a tremer
O correr dos passos que arrefecem
Entre as conversas que aquecem
O crepitar da multidão
Que embrulha a pele na nova estação.

De repente
Leve ou levemente,
Teremos o inverno presente…

O outono dos dias

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Espalho folhas
Levemente desenhadas
Douradas,
Para cobrir a pele das árvores
Caladas,
Sem movimento
Entregues ao desalento
Ao outono dos dias
Que vincam o tempo
E marcam a quietude
Dos gestos que ecoam
O silêncio das ruas.
Tento criar a ilusão
De vestir a estação
Espalho folhas pintadas
Outras nuas,
Onde escrevo histórias
E entrego-as ao outono
Como sendo suas…