…Com um sorriso…

Porque sinto a tua falta

A dor não deixa de doer

O meu olhar entristece por não te ver

E o coração empobrece por não te ter.


Porque é difícil aceitar a perda

A alma sufoca revoltada

O corpo entrega-se a uma fraqueza descontrolada

Vive-se em silêncio numa vida pesada.


Habitarás sempre dentro de mim

A tua memória irá permanecer

O teu sorriso faz o meu não desaparecer

Hoje e sempre és o irmão que não irei esquecer.


…Com um sorriso…

No voo da solidão

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É como se fosse um voo
Que atravessa o caminho
Arrastando uma mágoa
Que cria pouso no coração
De tão sozinho,
Sem ninguém por perto
Acolhe de peito aberto
Este passageiro,
Estende-lhe a sua mão
Que traz na bagagem a ilusão
De ser prestável companheiro
Mas viaja sem rosto,
Deixando um rasto de escuridão
Onde já nada parece existir
Se não o sentir da solidão.

 

Não sei o que dizer…

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Não sei o que dizer
Tão pouco o que sentir
Se não a vontade de despir
O peso entranhado
Nos ossos
Neste corpo pesado
Onde já nada cabe
Se não a dor da saudade.
Difícil carregar o lugar
Que alberga o despertar
E sustenta o repousar
Das fragilidades da realidade.
O coração
De tão dorido
Sente-se triste e empobrecido
Ainda assim,
Ajeita-se no seu modo de ser
Vagueia,
Mas não se dá por vencido
Recorda a tua força de viver
Ordena a desordem
Nas emoções de te ter perdido
E num fechar de olhos
Abro um sorriso
A todos os teus sorrisos…

 

Para sempre…

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É quando o dia se entrega
Ao silêncio da noite
Que se desmorona a fortaleza
Cai o escudo
Que protege a fraqueza
Abre-se a ferida
Que não cicatriza
Não esquece a tua partida.
Não fiques triste
Com a minha tristeza
Ainda estou a aprender
A olhar-te sem te ver
A falar sem te ouvir
A sorrir para o teu sorriso
Sempre à procura do sentido
De um sopro que acomode
A dor do acontecido.
A cada amanhecer
Se ergue uma muralha
Visto-me para a batalha
Invento-me,
Até um dia conseguir despir
Este sentimento
E abrir o meu coração
A todos os nossos momentos…

Hoje e sempre,
Meu querido irmão

Porquê?

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A dor que me veste o peito
E o desgosto tatuado no rosto
São retrato de um coração desfeito
Cravado de agonia
Transbordando de angústia
Tanto de noite como de dia.

Ausentaram-se as palavras
Para costurar a ferida
Que sangra pela partida
De uma vida interrompida
Onde o manto de tristeza
Cobre e sufoca a leveza.

Os gestos perdem o sentido
O corpo vagueia mudo e perdido
A saudade rasga-me a pele
Enquanto o olhar repousa
No silêncio da solidão
E pergunta, porquê?