Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Amanhecer com poesia

Dou a mão ao amanhecer

Abro a porta para o sol entrar

Arrumo o corpo para bem parecer

Sigo caminho com a felicidade no olhar.


Levo comigo os poemas acabados de acordar

Ajeito as palavras para não as perder

O dia cresce sereno com vontade de se dar

E a poesia solta-se para quem a quiser ler.

…Ver com o olhar…

É com o olhar que se aprende a ler

A doçura do sorriso

A candura das palavras

É com o olhar que se aprende a ver

A luz que norteia o caminho

O silêncio que conduz o tempo

É com a vista posta no teu olhar

Que derramo os segredos

Que com o tempo fui colhendo.

Amor para a vida

Pudesse eu ser asa

Para te deixar voar

Pudesse eu ser casa

Para acolher o teu pousar

Pudesse eu ser uma estrela

Para o teu caminho iluminar

Soubesse eu ser a leveza

Para a dureza da vida apagar

Soubesse eu ser o sol

Para fazer o teu dia brilhar

Pudesse eu ser a pele

Para a tua pele agasalhar

Soubesse eu colher a felicidade

Para como presente te dar

Para que saibas

O meu amor por ti jamais vai acabar

É semente para uma vida toda durar.

A vida a florir

O dia amanheceu a florir

Abri as cortinas para o sol entrar

O silêncio da noite foi saindo devagar

Senti os poros da minha pele a brotar


O corpo acorda e reage ao dia

Como se fosse uma flor de um jardim

Talvez um malmequer, um lírio ou jasmim

Absorvo o perfume e guardo-o em mim


Sigo a raiz que faz os dias florescer

Mas nem sempre entendo o seu crescer

Por vezes o que é certo faz-me perder

E o acaso dá-me tempo para escolher


A cada passo

Há um dia a florir, o corpo a reagir

E a vida a fluir…

…Entre aromas…

Recolhi os aromas da minha infância

Semeados na cadência do tempo

Com eles soltaram-se os sonhos

Os segredos soletrados às estrelas

A inocência da idade

Que voava nas asas do vento,

Cada dia tinha um sabor

Um novo alento,

E as horas pousavam devagar

Livres,

Dentro do meu olhar

Guardo esta cumplicidade

Com saudade…

Somos Palavras

Dizem que as palavras não têm tempo

Mas estão em constante movimento

Plenas de intensidade

Encurtam a distância e medem a verdade

Escutam as conversas

Palavras entre palavras,

Traçam um caminho de cumplicidade

Deixando um rasto na memória

Conjugam-se entre o sonho e a realidade

Hoje somos palavras,

Ditas ou escritas

Mais adiante somos

Palavras recordadas ou apagadas …

…Dar tempo ao dia…

O relógio prendeu-me o corpo

Não acordei com a madrugada

As horas fizeram a sua própria caminhada

Não serei eu a entregar-te a manhã

A minha rotina tão desejada.



Amanhã deitarei as horas no meu regaço

Para não sofrer tal embaraço

Quero iluminar o teu amanhecer

Afastar a fadiga das horas

Dar tempo ao dia para o teu viver.

Um mar de Paixão

Ouvi os queixumes do mar

Entristecido,

Já se tinha lamentado à lua

Desabafava sobre a terra

Que por vezes amua

Flutua como as marés

Desorientada

Com o olhar longe,

Desgostoso

O mar encobre-se no nevoeiro

Saudoso de lhe salgar a pele

Navegar no horizonte do seu corpo

Espalhar na brisa o que guarda no coração

Sente pela terra um mar de paixão.

…O que trago em mim…

Se hoje escrevesse um poema

Escolheria palavras leves

Transparentes e coloridas

Como a alma do autor,

Um poeta madrugador

Vestido de vontade

Conjugando o olhar e o sentir

Expondo-se entre rimas e versos

Com o tempo que deixa fluir…

Nem sempre sei o que trago em mim

Se hoje escrevesse um poema

Começaria certamente assim…