Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Partir ou Chegar

Não sei se é tempo de partir ou de chegar

Simplesmente acompanho o horizonte

Seguindo os dias

E hoje subo ao alto da montanha

Na tentativa de arrumar os pensamentos

Disfarçadamente o corpo torna-se leve

E a mente parece uma sombra pintada pelo sol

Crio a ilusão do silêncio ser a única porta

Por onde o corpo possa voltar.

…Meu doce Junho…

Sentimos o desfilar

De mês a mês a vida encantar

E nesta viagem, junho acaba de chegar

De janela aberta

Para desabrochar os sentidos

E receber o verão que não tarda a entrar.


Junho transporta o poeta e a poesia

Que dá nome ao dia de Portugal

Pelas ruas encontramos a alegria

Dos arraiais e festas populares

O saber manter a tradição

A sardinhada, o vinho e o pão.


Abraço junho de modo especial

Dá vida aos anos de vida da minha mãe

À tranquilidade de mais um aniversário passar

E ter como presente a família a festejar.

Presente

Pousei o amor devagar

Embrulhei-o juntamente com a saudade

Escrevi o endereço para até ti chegar

Dando ao vento a liberdade

De escolher o melhor lugar

Para contigo se encontrar.


O meu peito bate insatisfeito

Desassossega o coração

Ansioso este meu jeito

De querer receber notícias da tua missão.


Desliza na minha pele o amanhecer

E o pensamento parece já não querer colher

Senão o que trazes para me dizer…

Fragmentos

Interrompo os pensamentos

Sem saber formatar os sentimentos

Descrevo-me em palavras

Umas vezes certas

Outras tantas desarticuladas

Sou como o sorriso que amanhece

Tímido,

E no ventre do sol espairece

Guardo no dia silêncios

De segredos e conversas caladas

E enfeito-me de gestos

Que se desprendem do coração

Sem serem ensaiados

São olhares acesos

Fragmentos

De mim…

Bem vindo Maio!

Esbelto de aparência

Com o rosto de trabalhador

Mostra-se maio e a sua essência

Dando luz e cor à tradição

De com giestas se cobrir o lar

E de amarelo se perfumar o coração,

Alimentando o olhar com o cantar dos pássaros

E trazer a alegria da melodia

Fazendo de maio uma sinfonia!

…Toca a viver…

Enquanto as horas vagueiam no meu corpo

Já o tempo rasgou os dias

E percorreu o sentido da minha pele

Sobrevivendo a esta fugaz passagem

Até entrar na memória do coração,

Soltando-se uma explosão de silêncio

E ouvindo-se o tempo despir

Uma palavra que ficou por dizer

Um sorriso apagado

A promessa prometida e não cumprida

O som de uma noite mal dormida

A vida esquecida de ser vivida,

E enquanto as horas passam

Olhamos para a vida já envelhecida…

…E assim pousa Abril…

No aconchego primaveril

Num voo de liberdade

Esvoaça o pensamento

E assim pousa Abril,

Adocicando a vontade

De ver os dias a crescer

E escutando na quietude do olhar

O silêncio das palavras

Que se prendem nos poemas

Desfolhados ao luar.