E de repente o outono

E de repente o outono

Retratado no tempo

Nas manhãs despidas pelo vento

Entre as folhas amarelecidas

E na chuva que vem espreitar

Os dias que se deixam encurtar.


E de repente o outono

Um novo tempo a acontecer

Gestos que amadurecem o olhar

Vontade acesa de recriar

A estação que a terra vai vivenciar

E que na pele vem pousar.

Abri a porta…

Ao fechar a porta

Recolhi o olhar

Aprisionei as palavras

Senti a solidão entrar,

Consciente de ferir o coração

E de pôr os pensamentos a hibernar

Sacudo o tempo

Salto para a vida,

Dou liberdade aos dias para voar

Guardo o que é bom de guardar

E ao abrir a porta

Sinto o vento a soprar

Até a alma arejar…