Singularidades …

Debruçada na vida

Neste espelho singular

Que me traz memórias vividas

Recordo palavras ditas ao luar

Desarmadas,

Em madrugadas jamais esquecidas.

Neste conjugar de pensamentos

Transporto algumas rugas na idade

Mas não faço do passado saudade

Darei ao tempo o que é do tempo

E aos meus dias contarei histórias

Que fazem a vida sorrir

Esticando o caminho de existir.

Coordenadas

Se quiseres saber de mim

No rosto trago a essência

O corpo veste-se de aparência

Conservo na idade alguma inocência

E dou por mim a viver assim

Na simplicidade de um olhar

Não muito longe,

Num lugar fácil de encontrar

Estarei com o sol ao amanhecer

E irei com ele ver o mar ao entardecer

Se quiseres saber de mim…

Borboletas

Fecho os olhos no teu olhar

Estendo as minhas mãos aos teus gestos

Sinto a luz do dia penetrar

Entre os corpos que se querem juntar

Como se fossem borboletas a bailar.

Neste voo,

Ouve-se um silêncio a sussurrar

O amor que paira no ar

Entre a vontade de pousar

E de asas agasalhar…

…Era um poema…

Chegou como se viesse do Norte

Dentro da minha imaginação

Vinha bem apresentado e de caracter forte,

Nada fazia prever

Que as palavras que o faziam mover

Eram aquelas que eu gostava de ler.

Senti um trago a paixão

Um silêncio que mostrava o bater do coração.

Segui-lhe os passos

Com os meus sentidos um pouco perdidos

Pousados sob as rimas e os versos que entoava,

Vi o amanhecer dar lugar ao entardecer

Era um viajante com tempo no rosto

Sem pressa de recolher

Era um poema

Como eu gostava de ser!