Um novo olhar…

De mãos vazias

Mas estendidas ao mundo

Vagueia pelas ruas

Um olhar,

Um silêncio vagabundo

Que se mostra clandestino

Perdido na penumbra

Como se andasse sem destino.



 

Temido pelo tempo

Entre um passado vivido

E um futuro talvez esquecido

Este olhar,

Embora um pouco desajeitado

Não é alheio à miragem

De ver o céu estrelado

E de com ele seguir viagem.



 

Um olhar

Que hoje é meu

Amanhã poderá ser o teu

De mãos vazias

Mas abertas a cada acordar

Onde nasce sempre um novo olhar…

Outono

O dia amadurece

Como sendo um fruto,

Um rosto que envelhece

Semente deitada à terra

Colheita que a terra nos oferece.

As horas rodeiam a vida

E a natureza não fica desapercebida

Abre mão à ceifa

Que leva consigo o verão

E num sopro traz o vento

Debulhando o grão da nova estação.

Entre as folhas caídas

E as árvores que ficarão despidas

O olhar permanece

Atento ao desnudar

Que no outono acontece…

…Entre poemas…

Constantemente inconstante

Da poesia amante

Desfio as palavras

E com elas teço uma história

Entre olhares,

Onde perdura a memória

De diálogos que imaginei

Poemas que inventei

Todos pulsam no coração

Imaginados ou retratados

Ilustram a minha imaginação.

Tudo se inventa,

Constantemente se cria

Sou variável inconstante

Entre os versos e as rimas

Que me fazem companhia…