Envelhecer

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As folhas vão caindo
Quem sabe desistindo
Daquilo que as prende à natureza
Também os anos vão tombando
E a beleza derrubando
Porém,
A vida ensina-nos
A acrescentar amor
À idade que vamos somando
E força para continuar a crescer
Na arte de envelhecer.

… Enquanto as folhas vão caindo…

Que posso eu ser?

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Estranho
Esta estranheza
Que carrego sobre os ombros
Doridos,
Deixam tombar os desejos
Jã não sustentam a brisa
Que abre a beleza do dia.
De nada me servem as palavras
Que outrora me moviam
Comigo permaneciam
E sempre me comoviam.
Quisera eu ser poeta
Construir um mundo
Onde tudo cabia.
Certa
Desta certeza
Dediquei-me à poesia,
Agora,
Presente neste mundo
Ausente de palavras
Que posso eu ser?

…as minhas memórias…

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Não guardes as minhas memórias
Enterra-as comigo,
Não procures entender o molde
Que um dia as uniram a mim.
De tanto se prenderem
O coração perdeu-se,
Desorientado
Sentiu-se aprisionado
Num corpo quase a desistir
Como se já fosse partir.
Retalhos cruéis
Cravados na pele
Que tornam os poros infiéis
Remetidos a um silêncio
Fechado e magoado.
Não guardes as minhas memórias
Deixa que te afague a minha ausência
Com as palavras da minha essência
E voa alto
Até encontrares o teu novo céu.

A paixão do mar

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O mar vestiu-se a preceito
Acalmou o seu jeito
Aquele ondear encrespado
Que mostra quando está insatisfeito,
Embebe-se na espuma
Vaidoso,
Encobre-se na sua bruma
Ansioso
Que a terra se desnude
Mergulhe no seu corpo
Em toda a sua amplitude
E se deixe repousar
No amor do seu mar.

A terra ouve o lamento
Transportado pelo vento
Sabe que é hora de partir
De sossegar o seu sentir,
Apressa-se,
Segue o voo das gaivotas
Leve,
Asas que pintam o azul do céu
Libertam o majestoso véu
E a pele salga-se de mar
Sente-se pronta para abraçar
A infinitude do olhar
Que une a terra e o mar.