Queria ser uma estrela!

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A noite reluzia a elegância do manto que lhe movia o corpo, enquanto o silêncio acentuava os passos descomprometidos que pisavam a calçada.
Silhueta vincada pelo mistério que se fazia sentir em cada esquina que dobrava, entre o reduzido feixe de luz e a sombra que a perseguia.
Dada a um movimento de leveza que lhe desnudava ainda maior beleza.
Amante confessa das horas que cobrem os dias e os pintam de uma escura tonalidade, a penumbra. Vivia a noite como mais ninguém a via…
Conhecia de cor os lugares cobertos pelos luares que incendiavam o céu.
Entre rumores dizia-se que apenas o retrato da noite a preenchia e todas as noites o seu sonho se cumpria.

Queria ser uma estrela!

A idade dos dias

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Se ao menos eu soubesse
Viver a idade dos dias
Como quem colhe os aromas
E semeia nas esperas do tempo
Um silêncio que mantivesse
O diálogo da minha voz,
Talvez eu pudesse
Sentir o cair das horas
Na ilusão de as ter só para nós!

Se ao menos eu soubesse
Viver a idade dos dias
Como quem tece a felicidade
E despe da pele a saudade
Num olhar que iluminasse
O que trago dentro de mim,
Talvez eu coubesse
No vagar do passar das horas
E não as deixasse ter fim!

 

Por acaso…

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As palavras apareceram por acaso
Encontramo-nos no mesmo olhar
Sem nada interrogar,
Conversamos sem o tempo contar
Cúmplices na linguagem
Na tranquilidade da viagem
Que nos levou ao mesmo lugar.

As palavras apareceram por acaso
Desafiando as horas do dia
Entramos no mesmo divagar
Despindo no silêncio a ousadia
A linha que conjuga o pensamento
E derrama no corpo o movimento
A vontade de viajar na poesia.

O que vês?

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Olha para mim
O que vês?

Um pedaço de céu
Num dia encoberto
Outro de sorriso aberto
Que nasce na claridade
Certa de querer voar alto
Desprender-me do véu
Amadurecer o pensamento
Tecer um sopro de felicidade
E espalha-lo com o vento.

Olha para mim
O que vês?

Um braço de mar
Num navegar destemido
Para a bom porto chegar
Mergulhar na profundidade
Na transparência da verdade
Libertar o olhar no horizonte
Deixa-lo ir nas marés
Na força das águas
Que moldam o sentido.

Olha para mim
O que vês?

Um pouco da terra
Que a terra me oferece
Raiz presa à vida
Dia a dia que amadurece
Semente que baila no ar
Palavras que guardo
Colhidas entre cada soletrar
Sou asa que poiso
Onde houver amor para amar.

Olha para mim…

Para sempre…

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É quando o dia se entrega
Ao silêncio da noite
Que se desmorona a fortaleza
Cai o escudo
Que protege a fraqueza
Abre-se a ferida
Que não cicatriza
Não esquece a tua partida.
Não fiques triste
Com a minha tristeza
Ainda estou a aprender
A olhar-te sem te ver
A falar sem te ouvir
A sorrir para o teu sorriso
Sempre à procura do sentido
De um sopro que acomode
A dor do acontecido.
A cada amanhecer
Se ergue uma muralha
Visto-me para a batalha
Invento-me,
Até um dia conseguir despir
Este sentimento
E abrir o meu coração
A todos os nossos momentos…

Hoje e sempre,
Meu querido irmão