Envelhecendo

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Quando o caminho é feito devagar
O dia-a-dia teima em não avançar
Não há pressa de chegar
O destino não é mais que as memórias
Que o tempo foi amadurecendo
E que o olhar vai perdendo
Estamos envelhecendo.

Quando o corpo tomba de cansaço
E a solidão toma conta do espaço
Os sonhos já não saem do regaço
A realidade não é mais que as histórias
Que o tempo ajudou a construir
As lembranças do nosso existir
A serenidade de continuar sem desistir.

Quando o pensamento parece vaguear
E as palavras começam a escassear
Somos monólogos a dialogar
A vida assenta na memória das histórias
Que o tempo a seu tempo foi guardando
Nos afetos que nos vão alimentando
A idade que o corpo vai somando.

Saberás de mim…

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Saberás de mim
A cada acordar
Em que me cubro de silêncio
E deixo o canto dos pássaros
Sobrevoar o meu espaço
Oiço sons de diferentes tons
Deixo-me envolver na melodia
Neste voo de emoções
Até que perco o sentido
Aterro no teu corpo
Num despertar de sensações.

 

Vida

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Piso o chão da tua terra
Com as palavras a flutuar
Aprendi a fiar o tempo
A tecer os gestos para não te magoar.
Todos os dias nasces para o dia
Não há sombra que te faça parar
Indiferente ao caminho
Ao cansaço das horas
Entre as demoras
De nos ver partir e chegar.
És terra
Sinto o pulsar do teu respirar
Derramas vida para lá da vida
Um dia serei pó do teu pó
O chão que outros irão pisar.

Prometo…

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Prometo silenciar
A voz que trago em mim
Adiar as palavras
Atravessar o tempo
Ousar tocar-te com o olhar
Ir no teu horizonte
Para na tua pele repousar.
Deixar-me ir
Com o sol até ao luar
No aconchego encontrar
A linha de um poema
Onde possa escrever
O tanto que tenho
Para te dizer
Prometo…

Será Amor?

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O dia nasce para o dia
Os poemas para a poesia
Num bater de asas
Borboletas coloridas
Germinam vida entre vidas
Na terra que alimenta a terra
No amadurecer da paixão
E no colher de frutos maduros
Entre sorrisos singelos e puros
Que quando se encontram
Incendeiam o olhar
Esvoaçam palavras
Que ao coração vão parar
E deixam na pele
A fragrância dos corpos
O pousar dos gestos
Que nos faz voar.
Será amor?