O inverno a chegar

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Desassossegado
Assim está o vento
Ora leve ora pesado,
Furioso e descontrolado
Quem o terá chateado?
Visível a inquietação
Resta a solidão
Nesta terra deserta,
Sossego sombrio
Que afugenta os pássaros
Despe as árvores
E arrasta o frio.
O dia fecha-se em si próprio
Parece triste e desiludido
Tudo à volta é pacato
Sem ruído,
Será que está perdido?
A chuva lavou as cores
Regou demais as flores
Até as palavras
Escorrem pelo chão
Folha entre folha
Encharcam o caminho
Seguem em contramão.
As ruas perderam o diálogo
Vazias e sem brilho
Vivem agora dos lampiões
Que iluminam os serões
Gastos pelo tempo
À procura de movimento.
O que é feito da gente?
Recolheram os passos
Agasalham as conversas
Costuram as emoções
Enquanto aquecem o olhar
No sussurro do vento
Que o inverno foi buscar.