Olá Dezembro!

diette-henderson-465350

Olá Dezembro
Tão triste foi o meu novembro
Cravou de dor o meu coração
Arrancou parte de mim
Deixou-me uma ferida que dói
Que sangra e que mói
Faz perder o sentido e a razão
Difícil aceitar a vida assim.

Olá Dezembro
Terminas mais um ano
És mês de afetos e alegria
De partilha e de juntar a família
De dar e receber presentes
Relembrar os que estão ausentes
Nesta época festiva e especial
Recheada de emoção e tradição.

Olá Dezembro
Vais receber a visita do pai Natal
Cenário mágico para os pequeninos
O mundo crescido é mais real
Pudesse eu desembrulhar
Luz para me iluminar
Fortes abraços a aconchegar
Paz para me tranquilizar.

 

 

Como se fosse uma janela

window-2638833_960_720

Abro a madrugada
Como se fosse uma janela
Que conspira com o olhar
Espanta o escuro e a sombra
Num enredo com o corpo
Faz os sentidos desabrochar.

Na luz ténue do nascer do dia
Cubro a pele com a minha existência
Alicerce que segura o tempo
Sem perder o saber do ser
Rasgo um sorriso de esperança
Alimento a vida que me faz viver.

Abro a janela
Como se abrisse a madrugada
Debruço-me no caminho
Que será a minha caminhada…

 

O inverno a chegar

street-lamp-336556_960_720

Desassossegado
Assim está o vento
Ora leve ora pesado,
Furioso e descontrolado
Quem o terá chateado?
Visível a inquietação
Resta a solidão
Nesta terra deserta,
Sossego sombrio
Que afugenta os pássaros
Despe as árvores
E arrasta o frio.
O dia fecha-se em si próprio
Parece triste e desiludido
Tudo à volta é pacato
Sem ruído,
Será que está perdido?
A chuva lavou as cores
Regou demais as flores
Até as palavras
Escorrem pelo chão
Folha entre folha
Encharcam o caminho
Seguem em contramão.
As ruas perderam o diálogo
Vazias e sem brilho
Vivem agora dos lampiões
Que iluminam os serões
Gastos pelo tempo
À procura de movimento.
O que é feito da gente?
Recolheram os passos
Agasalham as conversas
Costuram as emoções
Enquanto aquecem o olhar
No sussurro do vento
Que o inverno foi buscar.

Entre os dias…

barley-field-1684052_960_720

Os dias nascem
Uns a seguir aos outros
Ritmados a cada passo
Em contornos desiguais
Num abraço contra o tempo
Na luta de querer mais
Em constante mutação
Onde despimos os afetos
Desprendemos o coração
Rasgamos caminhos
Ainda que sozinhos
Sem tempo para acompanhar
A realidade do olhar.

Os dias morrem
Uns a seguir aos outros
Com o cair das horas
E a perfeição do tempo
Que passa sem vacilar
Em gestos repetidos
Mas nunca iguais
Onde vestimos a vontade
De travar as esperas
Guardando pedaços
De promessas imortais
Tecidas pelo olhar
Construção da realidade.