Berço de aconchego

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Sinto a dor entrar-me na pele
Ao caminhar descalça entre o pó
E a saudade do verde do teu olhar.
Olho as árvores desfolhadas
Tão visível a magreza,
A tristeza,
De terem sido abandonadas.

A terra está carente de semente
De grão
De um sopro de gente
Que lhe estenda a mão
Pedra a pedra
Lhe devolva a calçada
Os sonhos de cada estação.

Meu berço de aconchego
Deixa-me sacudir-te as feridas
Costurar-te as asas
Para que possas de novo voar
Tão longe quanto os pássaros
No rasgar dos dias
Que alegremente vivias.