Confusão…

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De repente o olhar fica vazio
Mudo
Tudo é pálido e sem cor
O sorriso fica fechado
Sisudo
Opaco e sem valor
Em redor tudo desaparece
Não há gente
Não há como seguir em frente
Até o tempo parece que parou
Confuso
O que será que mudou?

Há momentos que tudo cansa
Até o próprio descanso
Tantas vezes fujo da agitação
Ansiando o sossego
O repouso da mente
O libertar da razão
Mas tudo muda rapidamente
Volta o desassossego
A azafama da multidão
Não há como seguir em frente
Tanta é a confusão.

Também não sei se quero ir
Nem tão pouco se quero ficar
O corpo está do avesso
Sinto a alma a doer
O coração a esmorecer
Já nem sei se me conheço
Se é na quietude que me aborreço
Ou no receio de a perder.

Memórias…

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Na memória das memórias
Habitam pedaços de histórias
Traços que tracei
Laços que atei
Vitórias que conquistei.

… Fragmentos de momentos
Tristeza pelos dias cinzentos
Alegria pelos talentos
Pelas passadas de sucesso
Entre outras de retrocesso.

Na memória das memórias
Está tatuada a saudade
De conversas inacabadas
Estilhaço de gargalhadas
Lembranças jamais apagadas.

… Alojamento de pensamentos
Alguns pelo tempo presente
Outros de um passado já ausente
Permanecem ou esmorecem
Pelo valor e espaço que merecem.

… A memória
É um encaixe de ideias
Uma esponja de sentimentos
Uma triagem que marca uma viragem
Para seguir em frente na nossa viagem.

A menina dos sonhos

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A pouco e pouco desce a calçada
Aparência simples, mas iluminada
Segue rua abaixo a sua jornada
Feliz com a tarefa que lhe foi confiada.

De olhar brilhante e penetrante
Apenas uma sacola transportava
Oferecendo sorrisos a quem passava
Entre outros com quem conversava.

Da sacola saíam histórias, saíam memórias
O sol, a felicidade e até a amizade
Estendia as mãos perfumadas de flores
Escutava o coração de muitos amores.

Portadora de tempo e de calma
De braços abertos ao mundo
Menina encantada que tanto dava
Acreditava nos sonhos de quem sonhava.

Figura doce, parecia que tinha magia
Tantas noites me fez companhia
Sabia de cor a história que lia
Mas sem ela não adormecia….

… A história da menina dos sonhos

Quem somos?

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Tantas vezes olhamos
Sem ver
Tantas vezes falamos
Sem nada dizer
Tantas vezes tocamos
Sem sentir
Outras vezes escutamos
Sem nada ouvir
Será por conveniência
Ou por falta de essência?

Somos nacos da mesma carne
Seres semelhantes
No nascer e no morrer
Inconstantes
No modo de ser
Viajantes
Com vontade de conhecer
Aprendizes constantes
Da arte de viver.

Somos seres intolerantes
Que nos tornamos distantes
Do valor dos afetos
Somos errantes inquietos
Apenas desejamos ter
Para enaltecer
O que nos falta no ser
Será por conveniência
Ou por falta de essência?

Não somos todos iguais
Somos todos humanos
Uns quantos se tornam banais
Por serem tão artificiais
Vazios e ausentes
Acreditam que são diferentes
Despejam sentimentos
Desperdiçam momentos
Seres meramente superficiais.