Um dia na cidade

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Entre as histórias da história
Descreve-se uma terra
Envolta de uma muralha
Ano após ano em batalha
Em guerra contra o cerco
Que ameaçava retirar o berço
A um povo destemido e bravio.

Abrem-se as portas da cidade
Vamos descer a calçada
Passar nos becos e nas ruelas
Ouvir as vizinhas junto às janelas
Do velho e colorido casario
Mais parece uma tela de aguarela
Que se estende até ao rio.

É hora de repousar o olhar
Entretanto perdido pela cumplicidade
Pelo apego às origens desta cidade
Que acolhe e recebe com simplicidade.

Vamos acostar e saborear
Um porto à beira mar
Retratar o momento
Para mais tarde relembrar!

Convite

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Convido-te a ficares comigo esta noite
A preencher o vazio deste espaço
A afugentar o silencio num abraço
Embriagar a alma que se deslumbra
Quando os nossos corpos enfeitiçados
Se unem de paixão enamorados.

Convido-te a habitares este espaço
Outrora sombrio e um pouco baço
Vamos iluminar a penumbra
Cruzar os nossos sentidos
Enquanto seres semelhantes
Saborear o prazer de sermos amantes.

Convido-te a ficares comigo
Entre o amanhecer e o anoitecer
Entre a luz e a escuridão
Entre as palavras e a inspiração
Que moram no meu coração.

Uma nova estação

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Desprendeu-se o manto que cobria o céu
Desarmado pela nudez
As nuvens caem por terra
Fazendo o sol mudar de direção
É anunciada uma nova estação.
O céu sente-se derrotado
Encobre-se e fica acinzentado
Chateado o sol deixa de sorrir e brilhar
Um novo reinado acaba de chegar!
O vento envaidecido
Sopra bem forte e destemido
Num vai e vem de movimentos
Alberga e desperta sentimentos
Tal como o cair das folhas
Uns renovam os sentidos
Outros persistem em ficar perdidos.
Até a chuva que hibernava
Cai gota a gota destilada
Traz o cheiro a terra molhada
Afoga a dor e germina amor.
A vida é uma constante mutação
Haverá sempre luz em cada estação
Quer seja no Inverno ou no verão
Sorri e vive com paixão!

Estou a caminho

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Acordei cedo
Ainda o sol se espreguiçava
Há muito que não madrugava
Mas sabe bem ver o dia nascer
Sentir o que a natureza tem para oferecer.

Despeço-me apressadamente do tempo
Embarco com o coração a transbordar de saudade
Transporto o bilhete de regresso para a felicidade
Viajo com um arco iris no olhar
Na bagagem muitos abraços para te dar.

Estou sedenta dos teus beijos
Quero rever o teu rosto e o teu sorriso
Diminuir a distância e aparecer de improviso
Vou levantar voo e sobrevoar-te
Livremente pousar no teu corpo e amar-te.

Voltei, estou aqui para ficar
Cuidar de quem me cuida e sabe amar
Qualquer que seja o destino ou o lugar
Lado a lado havemos de lá chegar.

Desassossego

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Decidi interromper a inquietude
Que me visita sem a convidar
Rouba-me espaço e por vezes desilude
Como se fosse um corpo por habitar.

Repouso o meu olhar cansado
Agoniado pelas lágrimas sufocadas
Na alma as promessas de um passado
Memórias que o coração tem gravadas.

Estremeço com o grito da solidão
Que me desperta deste lugar escuro
Acordo a tempo de mudar de direção
Despejar a dor e partir para um lugar seguro.

Recordo a minha imagem sorridente
Envolta de um corpo em liberdade
Traduz o sossego de um tempo presente
Aliado ao meu conceito de tranquilidade.