Vida

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Piso o chão da tua terra
Com as palavras a flutuar
Aprendi a fiar o tempo
A tecer os gestos para não te magoar.
Todos os dias nasces para o dia
Não há sombra que te faça parar
Indiferente ao caminho
Ao cansaço das horas
Entre as demoras
De nos ver partir e chegar.
És terra
Sinto o pulsar do teu respirar
Derramas vida para lá da vida
Um dia serei pó do teu pó
O chão que outros irão pisar.

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Prometo…

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Prometo silenciar
A voz que trago em mim
Adiar as palavras
Atravessar o tempo
Ousar tocar-te com o olhar
Ir no teu horizonte
Para na tua pele repousar.
Deixar-me ir
Com o sol até ao luar
No aconchego encontrar
A linha de um poema
Onde possa escrever
O tanto que tenho
Para te dizer
Prometo…

Será Amor?

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O dia nasce para o dia
Os poemas para a poesia
Num bater de asas
Borboletas coloridas
Germinam vida entre vidas
Na terra que alimenta a terra
No amadurecer da paixão
E no colher de frutos maduros
Entre sorrisos singelos e puros
Que quando se encontram
Incendeiam o olhar
Esvoaçam palavras
Que ao coração vão parar
E deixam na pele
A fragrância dos corpos
O pousar dos gestos
Que nos faz voar.
Será amor?

 

Recomeçar

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Ainda que
O sorriso não apareça
E a vontade esmoreça
Eu sei
O tempo não me dá tempo
Não espera por mim
Mesmo que
Isso me entristeça
Haverá sempre quem se reinvente
E não se lamente.

Ainda que
O olhar se distancie
E o coração não se pronuncie
Eu sei
Estarei sempre a tempo
De escolher o melhor de mim
Agarrar a liberdade
Tecer um novo recomeço
Virar a vida do avesso
Não aceitar viver pela metade.

Manhã

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Como a madrugada silencia a noite
Convidando o sol a acordar
A trazer consigo a manhã
Luzidia e perfumada,
Também os meus olhos
Se abrem para os teus
E o olhar se veste para o dia
Devolvendo ao corpo as palavras
Despidas pelo afeto
No refúgio de todos os sentidos
Onde nos encontramos
Perdidos…

Confidências…

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“Não sou mais do que vês em mim
Tracei um caminho que me levou
E me libertou num poema assim…”

 

Hoje sou o que nunca fui
Trago no olhar o que nunca vi
Encontrei palavras que nunca esqueci
Relembrei sonhos que ficaram por aí
Esquecidos, talvez perdidos
Entre pedaços de caminhos percorridos.
Ontem fui o que hoje sou
Rosto que o tempo transformou
Abraços que o vento levou
Silêncios que o coração libertou.
Sou o amanhã e para onde vou
Levo comigo a raiz que brotou
Sem medo do que para trás ficou
Importa o agora e com quem estou
Caso o amor que recebo com o que dou.

Cais

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O sentido que me reveste a pele
Por vezes interrompe o tempo
Hiberna em memórias apagadas
Cai em conversas resignadas
Até sacudir de novo as palavras
E o corpo renascer inteiro
Da pálida sombra
Que lhe envolve a essência
Destapando os movimentos
Onde tece a vontade e agradece
O chão que a terra lhe oferece.
Embarco sem demora
Até ao cais que me devolve à vida.

Aprendo a voar

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Observo a quietude do teu voo
Livre, solto
Onde o vento molda a vontade
E ajusta o pensamento
De seguir em frente
Sem suspender o momento
De dar asas à felicidade.
Abro o meu coração
E aprendo a voar!

Olá Dezembro!

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Olá Dezembro
Tão triste foi o meu novembro
Cravou de dor o meu coração
Arrancou parte de mim
Deixou-me uma ferida que dói
Que sangra e que mói
Faz perder o sentido e a razão
Difícil aceitar a vida assim.

Olá Dezembro
Terminas mais um ano
És mês de afetos e alegria
De partilha e de juntar a família
De dar e receber presentes
Relembrar os que estão ausentes
Nesta época festiva e especial
Recheada de emoção e tradição.

Olá Dezembro
Vais receber a visita do pai Natal
Cenário mágico para os pequeninos
O mundo crescido é mais real
Pudesse eu desembrulhar
Luz para me iluminar
Fortes abraços a aconchegar
Paz para me tranquilizar.

 

 

Como se fosse uma janela

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Abro a madrugada
Como se fosse uma janela
Que conspira com o olhar
Espanta o escuro e a sombra
Num enredo com o corpo
Faz os sentidos desabrochar.

Na luz ténue do nascer do dia
Cubro a pele com a minha existência
Alicerce que segura o tempo
Sem perder o saber do ser
Rasgo um sorriso de esperança
Alimento a vida que me faz viver.

Abro a janela
Como se abrisse a madrugada
Debruço-me no caminho
Que será a minha caminhada…