Entre o luar…

woman-1388879_960_720

Da janela do meu quarto
Vejo a noite já fechada
Talvez um pouco ensonada
Embrulhada na madrugada

Sinto o aroma doce do vento
Que sussurra leve ao relento
Embala a noite no pensamento

O meu olhar embriaga-se na lua
Tímida esconde a sua face nua
No corpo que cresce como míngua

O céu no aconchego do anoitecer
Rouba-me o sono para adormecer
Vejo o sol abrir o amanhecer
Da janela do meu quarto.

Anúncios

Talvez um dia…

simon-wijers-37847

Sinto-me a encolher
No mundo que não para de crescer
O coração transborda do peito
Já não cabe no seu lugar
Bate insatisfeito
Não sabe como amar
Neste tempo que se traduz breve
Onde a vida começa e acaba
Na leveza de um olhar.
Vadio o silêncio
Que guarda este meio jeito
No corpo que se tornou mudo
Para não ser atafulhado com tudo.
Doí-me ter que escolher
Entre a vontade do parecer e do ser
Recolho-me nas palavras
Tantas que ficam por dizer
Talvez um dia
A terra as vá colher…

Campo aberto

oliver-pacas-191069-unsplash

Preciso desse campo aberto
Onde o olhar se deixa ir
Na abundância do tempo
Onde as mãos repousam
Dos socalcos da vida
E o amor fermenta
No intenso aroma
Que o vento traz
E nos corpos se desfaz.

Não tarda rebenta a semente
E o grão armazenado
Pela terra será criado
O céu abre-se de cor
Entre o verde do respirar
E o coração pronto para amar
O fruto encontra poiso
Raiz fértil para se libertar
E mais um ciclo completar.

Queria ser uma estrela!

allef-vinicius-205147-unsplash

A noite reluzia a elegância do manto que lhe movia o corpo, enquanto o silêncio acentuava os passos descomprometidos que pisavam a calçada.
Silhueta vincada pelo mistério que se fazia sentir em cada esquina que dobrava, entre o reduzido feixe de luz e a sombra que a perseguia.
Dada a um movimento de leveza que lhe desnudava ainda maior beleza.
Amante confessa das horas que cobrem os dias e os pintam de uma escura tonalidade, a penumbra. Vivia a noite como mais ninguém a via…
Conhecia de cor os lugares cobertos pelos luares que incendiavam o céu.
Entre rumores dizia-se que apenas o retrato da noite a preenchia e todas as noites o seu sonho se cumpria.

Queria ser uma estrela!

A idade dos dias

watches-3147907_960_720

Se ao menos eu soubesse
Viver a idade dos dias
Como quem colhe os aromas
E semeia nas esperas do tempo
Um silêncio que mantivesse
O diálogo da minha voz,
Talvez eu pudesse
Sentir o cair das horas
Na ilusão de as ter só para nós!

Se ao menos eu soubesse
Viver a idade dos dias
Como quem tece a felicidade
E despe da pele a saudade
Num olhar que iluminasse
O que trago dentro de mim,
Talvez eu coubesse
No vagar do passar das horas
E não as deixasse ter fim!

 

Por acaso…

vincent-giersch-100507-unsplash

As palavras apareceram por acaso
Encontramo-nos no mesmo olhar
Sem nada interrogar,
Conversamos sem o tempo contar
Cúmplices na linguagem
Na tranquilidade da viagem
Que nos levou ao mesmo lugar.

As palavras apareceram por acaso
Desafiando as horas do dia
Entramos no mesmo divagar
Despindo no silêncio a ousadia
A linha que conjuga o pensamento
E derrama no corpo o movimento
A vontade de viajar na poesia.

O que vês?

lens-3186721_960_720

Olha para mim
O que vês?

Um pedaço de céu
Num dia encoberto
Outro de sorriso aberto
Que nasce na claridade
Certa de querer voar alto
Desprender-me do véu
Amadurecer o pensamento
Tecer um sopro de felicidade
E espalha-lo com o vento.

Olha para mim
O que vês?

Um braço de mar
Num navegar destemido
Para a bom porto chegar
Mergulhar na profundidade
Na transparência da verdade
Libertar o olhar no horizonte
Deixa-lo ir nas marés
Na força das águas
Que moldam o sentido.

Olha para mim
O que vês?

Um pouco da terra
Que a terra me oferece
Raiz presa à vida
Dia a dia que amadurece
Semente que baila no ar
Palavras que guardo
Colhidas entre cada soletrar
Sou asa que poiso
Onde houver amor para amar.

Olha para mim…

Para sempre…

flower-2143125__340

É quando o dia se entrega
Ao silêncio da noite
Que se desmorona a fortaleza
Cai o escudo
Que protege a fraqueza
Abre-se a ferida
Que não cicatriza
Não esquece a tua partida.
Não fiques triste
Com a minha tristeza
Ainda estou a aprender
A olhar-te sem te ver
A falar sem te ouvir
A sorrir para o teu sorriso
Sempre à procura do sentido
De um sopro que acomode
A dor do acontecido.
A cada amanhecer
Se ergue uma muralha
Visto-me para a batalha
Invento-me,
Até um dia conseguir despir
Este sentimento
E abrir o meu coração
A todos os nossos momentos…

Hoje e sempre,
Meu querido irmão