Com saudade

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Agarrei numa folha de papel
E escrevi a saudade
Que transpira da minha pele
O cheiro que não se evapora
Que me cobre a alma
E me veste o pensamento
Sob o corpo nu e sedento
Que permanece em silêncio
Desde a tua partida até agora.
Escrevo a saudade
Com palavras magoadas
Deixadas ao acaso
Na minha folha de papel
Abandonadas
Com saudade.

Espero por ti

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…Lembro-me de tudo em ti
Nem a tua ausência
Eu esqueci…

Vou despindo os sonhos
E riscando as palavras
No rasgar dos dias
Para enganar a saudade
E a ausência dos gestos
Que contigo trazias
E comigo repartias.

Tento fintar a monotonia
Travar a inquietude da espera
Cortar a distância em pedaços
Dar descanso ao corpo cansado
De tanto tempo estar sentado
Num canto escuro e desabitado
Talhado e tecido para ser amado.

Enquanto aguardo a tua chegada
Desnudo o desejo da minha pele
Sinto-te pulsar dentro de mim
Como uma chama a fervilhar
Desconheço o princípio e o fim
Acordaste todos os meus sentidos
Algures adormecidos, quase perdidos.

Escuridão

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Na imensidão desta escuridão
Solta-se o choro
Cansado de solidão.
As lágrimas lavam-me o rosto
Escondido pelo pó
Envelhecido
Não pelas rugas
Mas de tanto se sentir só.
Carente de um sorriso
De uma mão a acariciar
A pele baça e triste
Sedenta de se cruzar
Com a fala de um olhar.

Terra e Mar

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A terra abraça o mar
Entre salpicos, ele a vem beijar
Escolhe a maré para acostar
Enrolados em lençóis de água
Banham-se na espuma
Até ele se libertar.

Ancorada à nudez do seu olhar
A terra vai e vem no seu ondear
Pelo prazer de o sossegar
Deixa-se ir
Em silêncio, amainando a água
Somente para o contemplar.

O mar embarca sôfrego de desejo
Incerto que a terra o volte a acalmar
Agita-se em gemidos e queixumes
Desassossega e enfurece os oceanos
Afunda-se de desgosto, lavado em ciúmes
Deixando a terra ansiosa para o ver chegar.

Hoje, apenas hoje…

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Hoje, apenas hoje …
Não quero ir além
De conquistar a tua serenidade
Sem ela não serei ninguém…

Ainda que,
Seja apenas hoje
Repousa dentro de mim
Recolhe os meus medos
Traduz os meus segredos
Leva-os para longe
Para um lugar sem fim.

Ainda que,
Seja apenas hoje
Preenche a escassez dos sonhos
Que roubaram de mim
Abraça o meu corpo
Para que não se perca
Não se afaste de mim.

Ainda que,
Seja apenas hoje
Não me deixes sozinha
Convida as palavras escondidas
A articularem um diálogo
Faz com que não se sintam perdidas
Procurem ter outro fim.

Ainda que,
Seja apenas hoje
Segura na minha mão
Afugenta os fantasmas do coração
Cobre-me com a tua serenidade
Não quero ser refém da ansiedade
Não sei viver assim.

Ainda que,
Seja apenas hoje
Deixa-me saborear a emoção
Oculta a pressão da razão
Quero apenas saborear o momento
Vive-lo ausente de qualquer lamento
Sentir a leveza do sentimento.
Hoje, apenas hoje…

Convite de verão

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Recebi com agrado o convite
Para felicitar a nova estação
Visto-me de palavras
Não tenho vestido novo
Para me apresentar ao verão
Aprumo o pensamento
Para ficar leve e esvoaçante
Pinto o olhar para ficar brilhante
Não quero parecer deselegante.

De mãos livres
Sorrio confiante
Aos olhares agitados
Em rostos curiosos
Colados ao movimento
Dos versos e das rimas
Que embelezam o meu corpo
Vaidosa pela proeza
De poder mostrar tal beleza.

O céu azul mostra um sorriso
O mar envolve-se de improviso
O dia veste-se de cor
O vento espalha calor
Eu trajada de poesia
Todos serenos, mas a rigor
Aguardamos o momento
De ver chegar o verão
Disfrutar da calorosa estação.

Abre portas a tantos odores
Dos frutos maduros
Até à fragrância das flores
A paisagem envolve-se de cores
Explode a paixão dos amores
Envolvidos na emoção da estação
Abraçam o sol e o mar
Entre o amanhecer e o anoitecer
Apuram os sentidos para amar.

3ª. Indicação ao Mystery Blogger Award

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Olá!

Fui novamente indicada para o prémio The Mystery Blogger Award.
Sinto-me uma privilegiada pelo vosso reconhecimento e uma vez mais agradecida.

Desta vez, recebo a nomeação pela escritora Fortunata Fialho do blog escreversonhar.
É uma enorme satisfação ser nomeada por alguém que escreve tão bem e que admiro.
Obrigada!

Como já tinha sido anteriormente nomeada pela escritora do blog Café Amor e Poesia , e também pelo escritor Sandro do blog panografias, já tinha cumprido as regras, acedendo a este post, vou aceitar o desafio de responder às perguntas colocadas pela Fortunata Fialho.

Cinco perguntinhas que os indicados deverão responder:

 1- E se pararmos de sonhar?
Complicado deixar de sonhar, pois para mim é equivalente a deixar de viver.

2- Qual o seu lugar de eleição?
Gosto muito de viajar, mas o meu lugar de eleição é mesmo a minha casa.

3- Escrever porquê?
Boa pergunta, já a questionei algumas vezes… Hoje a resposta é porque gosto, me dá prazer, funciona como uma terapia!
Entendo também que cresço e aprendo com as palavras.

4- Podemos salvar o mundo?
Prefiro acreditar que sim…

5- Defina amar.
Amar é acreditar no infinito, sem nunca esgotar a vontade de querer ser feliz e de proporcionar felicidade.

Obrigada uma vez mais!

Fernanda Leal  – Essência da poesia

 

Desencontro

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Choro a dor da tua partida
Não sei lidar com a despedida
A sombra que a tua ausência deixa em mim
É difícil aceitar que o amor chegou ao fim.

Leio-te em cada palavra que escrevo
Encontro-te em cada lugar que vou
Recordo com saudade o que nos juntou
Procuro entender o que nos afastou.

Será que não vivemos o mesmo amor?
Será que o tempo não é igual para os dois?
Será que deixamos de brilhar?
O que restará de nós, depois?

Tenho ainda tanto para te dizer
Guardarei no vazio do meu coração
Preciso aconchegar o espaço ferido
Pelo desencontro da nossa união.